Filhos contam que data não será tão especial pela distância (Foto: Arquivo pessoal)

A rotina deste do último domingo (11), para muitas famílias será bem diferente do que era o tradicional almoço de Dia das Mães ao redor da matriarca. A razão é por conta de um pequeno vírus que afastou, física e momentaneamente, algumas pessoas até mesmo daquelas que é impossível ficar longe dos seus abraços.

Como um gesto de amor para proteger suas mães da covid-19, a publicitária Carolina de Camargo Pereira e a comerciante Isabel Cristiana Novello Duarte não se reuniram com suas famílias. Esta foi a primeira vez que isso aconteceu.

Para Carolina, a dor da distância vem de antes mesmo da quarentena. Por trabalhar no setor de turismo, a publicitária tem poucos finais de semana no ano para si. “Já tinha mais dificuldade de ver ela [a mãe], então às vezes ficava sem ver”, lembra. “Contando com a quarentena, já faz no mínimo 90 dias que eu não vejo ela pessoalmente”, conta.

Como a publicitária passa pela pandemia sozinha em Piracicaba – sua família é de Tatuí, e não tem filhos, por não ver a mãe, este domingo não será como esperava. “Eu vou tentar falar com ela, mas para mim não vai ser um dia tão especial esse ano, porque não vou poder estar com ela. E é a rotina, não estou me preparando para fazer nada de especial por aqui também”, explica Carolina, lembrando que sua mãe não tem acesso à internet para que pelo menos pudesse matar a saudade em uma conversa mais longa e prazerosa olho no olho por videochamada.

Como é do grupo de risco por ser hipertensa, a mãe da Carolina, Catarina, de 55 anos, pouco sai na rua. Seu filho que mora na mesma cidade é quem faz as compras no supermercado. “Eu fico mais preocupada por causa da distância, porque ela é do grupo de risco e eu não consigo ajudar muito. Se eu for lá, ela já mora sozinha, já vive um pouco mais isolada, então se for lá tenho medo de transmitir, levar alguma coisa pra ela”, preocupa-se Carolina.

Já Isabel mora na mesma cidade da mãe e a vi constantemente. O primeiro impacto de não reunir a família já foi na Páscoa. “A Páscoa já passou e nós não nos reunimos, ficamos todos distantes um do outro”, recorda Isabel, que já pensa no churrasco que a família fará após a quarentena. A mãe da comerciante tem 77 anos.

Além do Dia das Mães e da Páscoa, Isabel também passará o aniversário da mãe, que será dia 17 de maio, distante.

Não só pela comerciante, como também pelos seus filhos e netos, a saudade também será sentida no estômago. Afinal comida de mãe e de avó não tem substituição. “Ela faz um cuscuz divinamente, um risoto maravilhoso [também]. As crianças adoram, todo mundo adora o risoto dela, estão todos com saudade, falando ‘a gente não pode ir almoçar na vó?’”, conta Isabel.

Andressa Mota

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