Procedimento é revolucionário e substitui o tratamento cirúrgico que exige abertura da caixa torácica. /Foto: Divulgação.

O E m c o r ( S e r v i ç o d e Emergência do Coração) da Santa Casa de Piracicaba executou procedimento inédito na Instituição para tratamento da estenose aórtica calcificada de um paciente idoso, via implante percutâneo e angioplastia coronária simultânea para troca da valva aórtica. O procedimento é revolucionário e substitui o tratamento cirúrgico convencional, que exige abertura do peito e circulação extracorpórea.

O processo teve como instrutor o cardiologista intervencionista dos Hospitais Beneficência Portuguesa e Oswaldo Cruz, de São Paulo, José Armando Mangione, que executou o procedimento ao lado dos cardiologistas intervencionistas do Serviço de Hemodinâmica do Emcor, Eduardo Nicolela e Humberto Passos.

“Mangione é presidente da Sociedade Latino Americana de Cardiologia Intervencionista e responsável pela execução de pelo menos 700 procedimentos dos mais de 10 mil já realizados no Brasil com ótimos resultados”, disseram Passos e Nicolela ao justificarem o convite para que o cirurgião acompanhasse o processo.

Eles explicam que, ao ser implantada, a válvula transcateter amplia o espaço interno (lúmen) da valva aórtica fazendo com que ela volte a funcionar, permitindo o fluxo normal de sangue para alimentar todo o organismo. “Trata-se de um procedimento que vem sendo cada vez mais incorporado no dia a dia da cardiologia intervencionista do Brasil e do mundo”, observaram.

Mangione conta que a válvula é autoexpansível e tem uma capa protetora que, quando retraída, permite que a válvula se abra no anel valvar aórtico, eliminando a estenose, que é um estreitamento anormal da valva que reduz o fluxo de sangue nos vasos sanguíneos do corpo.

Segundo ele, o paciente é sedado durante todo o procedimento, realizado com acompanhamento ecocardiográfico para obtenção de imagens de alta resolutividade. O processo ocorre por meio da região femoral, localizada na porção súpero-anterior da perna, de onde uma artéria é puncionada para introdução de um cateter que vai até a válvula aórtica, uma das responsáveis pela passagem do sangue para circulação sistêmica.

“Tudo é feito sem cortes cirúrgicos, o que faz com que o procedimento seja bem menos invasivo; sobretudo em pacientes idosos que apresentam risco cirúrgico mais elevado”, revela o instrutor.

Quantos aos cuidados, Mangione, Nicolela e Passos alertam para os principais sintomas da estenose aórtica, que se manifestam através da dispneia (falta de ar), da angina (dor no peito) e síncope (tontura). “Esses sintomas podem se manifestar conjuntamente ou de forma isolada”, enfatizaram.

A orientação é para que, diante desses sintomas, o indivíduo procure um médico cardiologista para avaliação da sintomatologia. “Principalmente se a pessoa for idosa e tiver mais de 65 anos”, alertaram.

Ao agradecer o empenho e presença de Mangione, Humberto Passos e Eduardo Nicolela lembraram que, este ano, o Emcor completou 30 anos com mais 70 mil procedimentos intervencionistas realizados.

Da Redação

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