Professor da Esalq alerta para acidentes com escorpião no Verão

Chuvas e umidade favorecem proliferação de baratas, alimento de escorpiões, diz Gilberto José de Moraes (Foto: Amanda Vieira/JP)

Com aumento das chuvas e umidade no começo do ano, a população enfrenta problemas de acidentes com animais peçonhentos, entre eles, o escorpião. De acordo com o professor Gilberto José de Moraes, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/USP, o principal alimento do escorpião é a barata, que se prolifera com a umidade.
“Eles ficam escondidos durante o dia e à noite saem para caminhar [e se alimentar]. Nessa época, temos mais problemas de baratas saindo dos esconderijos, então os escorpiões saem [também]”, conta Moraes.

Gilberto José de Moraes é professor da Esalq/USP (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O professor ainda relaciona os casos com as chuvas do começo do ano. “Na época das cheias, a água leva entulho para a beira do rio, como resto de alimentos, que serve de alimento para as baratas, [o que também] aumenta quantidade de escorpiões”, explica.
Na cidade, o hospital referência na administração do soro antiescorpiônico é a Santa Casa, que divulgou os dados oficiais do ano passado de atendimento de acidentes com animais peçonhentos.
Em 2019, houve aumento de 41% nos atendimento desses casos pelo hospital. Foram 275 casos em 2018, ante 402 registrados ano passado, ou seja, 117 a mais. Desses, acidentes com escorpiões apresentaram aumento de 42%. De 263 vítimas, em 2018, para 373, em 2019.
Os dados mais recentes da Vigilância Epidemiológica Municipal (VEM), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, são do primeiro semestre de 2019, que até então já havia contabilizado 1.022 casos de acidentes com animais peçonhentos. Desses, 588 foram com escorpiões, ou seja, 57%. A maioria dos casos de acidentes com escorpiões ocorreram na região norte da cidade. Foram 181, que representa 31%.
Os dados com todos os casos de acidentes com animais peçonhentos na cidade serão divulgados pela VEM em março, de acordo com a assessoria de imprensa.
No hospital da Unimed Piracicaba, foram registrados 81 casos de acidentes com peçonhentos em 2019. Desses, 36 foram de escorpião, ou seja, 44% dos casos.
No Hospital Fornecedores de Cana foram registrados quatro casos de acidentes com animais peçonhentos em 2019. Dois deles por escorpiões e dois por cobra.
Entre outros casos de acidentes com animais peçonhentos atendidos pela Santa Casa, no último ano, estão serpentes (18), representando aumento de 125% em relação a 2018, que contabilizou oito casos, e aranhas, 11 casos, representando queda de 21% -dos 14 registrados em 2018. Na Unimed, também foram atendidos, em 2019, 18 casos de acidentes com abelha e 12 com aranha.

PREVENÇÃO
De acordo com Moraes, o principal cuidado na hora de se prevenir de acidentes com escorpiões é a limpeza dos ambientes, tanto dentro quanto fora de casa, nas zonas urbana e rural. “O melhor controle é reduzir a quantidade de barata e, para isso, é preciso eliminar restos e esconderijos. Quem mora perto de rio e zona rural [deve] manter limpo o quintal para não ter alimento para o escorpião”, lembra.
“No centro da cidade também tem porque dentro dos bueiros tem baratas. Uma boa prática também é manter sempre a base da porta bem fechada, principalmente à noite”, completa Moraes.
Em caso de acidente com qualquer animal peçonhento, a vítima deve procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para os primeiros-socorros.

Andressa Mota
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