Professor da Esalq/USP é pioneiro nos estudos de sivicultura urbana

Foto: Claudinho Coradini/JP

Pesquisa sobre cultivo de florestas mostra relação com hipertensão

Referência na área de cruzamento de dados de saúde humana e cobertura vegetal (árvores) no meio urbano, o professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho é um dos pesquisadores da Esalq/USP ranqueados como um dos melhores da América Latina. Ligado ao departamento de Ciências Florestais, ele atualmente participa de sete projetos de pesquisa e coordena três deles. Figurar entre os mais relevantes cientistas representa o sentimento de dever cumprido, diz o professor com larga experiência em ferramentas de diagnóstico de árvores e líder do grupo de pesquisa Silvicultura urbana do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

“São quase vinte anos inaugurando uma área nova a silvicultura urbana. Sou o primeiro professor dessa área e não havia nada antes, como um laboratório e linhas de pesquisa já estabelecidas com referencial já definido. Foi um desafio gostoso conciliar, dentro dessa área nova, linhas de pesquisa que fazem parte do urbanismo, mas, também, possuem questões florestais importantes.”

Dentro da sala de aula também há mais um bônus para Silva Filho. “A maior satisfação é poder ensinar e passar conteúdos que ajudamos a desenvolver por meio de pesquisa. Não somos pesquisadores. Somos mais do que isso. Somos professores que usam a pesquisa como ferramenta para melhoria do conhecimento em nossas áreas, tudo para melhor formação de nossos alunos. ”

SOMBRA AMIGA
Os últimos estudos publicados do professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho são os que têm tido maior impacto internacional abordando o tema de saúde e presença de árvores. “Mas, além desses, a linha de trabalho em que acredito ter contribuído e ainda quero contribuir mais é a função da cobertura arbórea em vias públicas como fator de melhoria microclimática. Isso é crucial nos dias de hoje já que as cidades necessitam de respostas para se adaptarem a essas mudanças.”

Ele destaca outro trabalho liderado pela engenheira agrônoma Tiana Carla Lopes Moreira. “Nosso laboratório e professores da medicina da USP encontraram uma relação inversa entre quantidade de árvores e hipertensão analisando 3.418 pessoas na cidade de São Paulo. Este estudo usou um subgrupo do dataset do Estudo Longitudinal Brasileiro da Saúde Adulta para identificar a correlação entre o diagnóstico médico de hipertensão e espaços verdes na cidade de São Paulo. O número de árvores de rua e quantidade de parques num raio de 1.000 metros se associaram inversamente com um diagnóstico da hipertensão. Sessenta e três por cento da população não teve nenhum parque dentro de um quilômetro da sua residência.”

Já em Piracicaba, a referência do professor é a pesquisa liderada pelo gestor ambiental Gustavo Oliva. “Meu orientado encontrou relação entre cobertura arbórea e temperatura do ar nos bairros de Piracicaba onde quanto maior a cobertura arbórea menor era a temperatura do ar. Para diminuir em um grau Celsius é preciso triplicar a cobertura arbórea e, ainda, que esse efeito só é observado de maneira significativa com a cobertura arbórea acima de 20% num raio de 50 metros de sua residência. No caso de Piracicaba, a maioria das residências não possui esse valor, que geralmente é abaixo de 13%.”

No momento, Silva Filho tem se dedicado à relação do verde arbóreo na cidade de São Paulo investigando a umidade e temperatura do ar. Esta pesquisa tem bolsa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em cooperação com professores da Itália.

Cristiane Bonin
[email protected]

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

cinco × quatro =