Projeto audiovisual faz resgate do empreendedorismo gastronômico

Foto: Divulgação

Curadoria é de Michele Novembre, chefe de cozinha e consultora em Alimentação

A série audiovisual ‘Memórias Culinárias: Piracicaba no Prato’ está em seu nono conteúdo e o mais recente traz a história da tradicional empresa Doces Martini. Muito além de receitas, o Sesc Piracicaba faz um trabalho de resgate de histórias da cidade em vídeos curtos e deliciosos de assistir – acesse o canal do clube na plataforma do Youtube. Já passaram pelo projeto de resgate de memórias gastronômicas Dona Zalenga, Restaurante do Chicó, Festa do Divino, Pamonhas de Piracicaba, Verdinho Sorveteria, Pintado na Brasa (Restaurante Mirante), Festa da Polenta de Santa Olímpia e Família Soledade.

O atual proprietário da doceria artesanal, Ricardo Martini, relembra receitas aprendidas em família e a criação da empresa. “Eu sou a quarta ger5ão de uma família de doceiros. Aprendi a trabalhar com meu avô, Agostinho Martini Neto. O apelido dele era Seo Neguinho. Meu bisavô tinha um bar na rua Moraes Barros e, nesse bar, minha bisavó fazia os doces de abóbora, batata e cocada branca. Em 1931, meu avô, aos 16 anos, resolveu por conta própria, ao invés de ficar brincando, pegar um cesto de palha e vender [os doces] na rua. Foi um visionário. Ao invés de ter um ponto de venda, ele passou a distribuir nas casas”, conta Ricardo.

Em 1935, Seo Neguinho comprou uma charrete e passou comercializar com outros bares e mercearias. Um ano após, ele adquiriu um veículo famoso na época, a Chimbica – veículo que foi mantido pela família e pode ser visto na foto desta matéria e no vídeo ‘Mata fome dos Doces Martini’. “É o food truck mais antigo do Brasil”, brinca Ricardo. Em 1937 acontece o casamento com Joana Rocha. “Eles construíram uma linda história que, em 2021, completou 90 anos”, diz o neto e empresário.

Outro destaque na história dos Martini é o forno à lenha de quase 20 metros quadrados que funcionou entre as décadas de 40 e 70 do século passado. “Cabiam 40 assadeiras de doces. Os clientes se recordam muito dessa época.” Lídia Provenzano, cliente e amiga da família, declara que a sua relação com os doces da família vem do útero. “Era paçoquinha, queijadinha, creminho, doce sírio. E não podia faltar o mata fome”, lembra ela.

Cristiane Bonin
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