Projeto coleciona áudios e ecoa a força da vida durante a pandemia

Foto: Divulgação

Lançamento será nesta terça-feira, às 19 horas, em plataforma digital

O “Projeto Alma Puída: as almas se costuram” nasceu da necessidade de dar voz ao que nos angustia e ainda nos aflige nestes 15 meses de pandemia em que somamos cerca de 500 mil óbitos no Brasil e mais de 3 milhões no mundo. De acordo com seus organizadores, o projeto leva em conta a força da palavra contribuindo para fazer ecoar a vida e superar os momentos de luto.

A ideia base do Projeto Alma Puída é colher áudios gravados por pessoas que desejarem participar do projeto expondo nesses áudios, que precisam ter até 3 minutos cada, as marcas da pandemia do coronavírus em suas vidas. A partir da colheita dos áudios recebidos, os organizadores farão uma coleção – uma montagem que funcionará como uma grande colcha de retalhos feita de fragmentos de memória e depoimentos em áudio.

O projeto será lançado nesta terça-feira (15), às 19h, em formato on-line, com coordenação do Instituto Angelim, que conta com Mirlene Fátima Simões, Fabíola Bastos Notari, Monica Fonseca Wexell Severo, Priscila Bellotti entre outras, e em parceria com o Memorial da Pandemia, composto por Alexandre F. S. Teixeira, Moisés Carlos Ferreira, Pietra Diwan e Cyntia H. Rossini. A idealização é do Grupo de Trabalho Expandir o Presente, Criar o Futuro, no qual Lidice Salgot é uma das organizadoras.

O Grupo de Trabalho Expandir o Presente, Criar o Futuro aconteceu ano passado, quando iniciou a pandemia. “Esse grupo de 16 mulheres se uniram pra contar suas vivências em 2020, o material, ainda digital, foi escrito, desenhado, filmado, fotografado e edtado durante os dois primeiros meses de pandemia. E a intenção, na época, era dar continuidade de resiliência do grupo com novos projetos de cultura, através da arte e literatura. Agora partimos para um projeto de voz onde através dos áudios convidamos a todos e a todas a exprimirem suas emoções, tristezas e esperanças, com o momento, no projeto Alma Puída”, explica Lidice.

“Estamos vivendo algo jamais imaginado no planeta. As vidas ceifadas, os sonhos perdidos. Nosso desabafo pode ajudar a curar as feridas e, ao mesmo tempo, se transformar em ação. Juntar nossas vozes pra ajudar a transformar esta realidade é o nosso principal objetivo”, explica a socióloga Mirlene Simões.

De acordo com a professora Monica Fonseca Severo, “lutar contra a desmemória é uma necessidade diante da tentativa de escamotear a realidade da pandemia e do pandemônio”. “Nossa ação de resistência artística é uma homenagem às vítimas do descaso e do negacionismo. Registrar, salvaguardar esta memória para que as gerações futuras possam conhecer, refletir e não repetir”, salientou.

“Como um tecido puído, desgastado e cansado, somos arrastados pela existência. Nos sentimos solitários, e nesse isolamento imaginamos que o que sentimos é apenas individual”, declarou a artista visual e pesquisadora Fabiola Notari, para quem, “a coleção de áudios surge como acolhimento para reunirmos forças para continuar de maneira mais consciente”.

Um ensaio para um poema

Para a artista plástica e professora aposentada Lucimar Belo, “é de vozes coletivas que se trata o projeto”. “Coloque a sua e aguarde para ouvir muitas. Neste último ano, a nossa voz está embargada, está com pulso, está presa. Vamos liberar nossa voz e juntá-la a um vozerio. É este o objetivo do Projeto Alma Puída”, enfatizou.

Segundo a artista visual indígena Miguela Moura, “a iniciativa valoriza a oralidade”. “Para os povos indígenas este é um fator importante, pois todas as nossas tradições são transmitidas de forma oral”, relatou.

Participe do Projeto

Qualquer pessoa acima de 18 anos pode gravar áudios, quantos desejar, de até 3 minutos de duração.

As inscrições estão abertas de 7 de junho a 29 de agosto.

Os materiais devem ser enviados para http://bit.ly/projetoalmapuida

Todos os formatos de áudio são bem-vindos.

Contatos

@projetoalmapuida

@institutoangelim

@memorialdapandemia

Da Redação

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