Projeto de Jornal na EE PEI Apaf trabalha a comunicação e o protagonismo do alunos

Proposta faz parte das chamadas disciplinas eletivas, uma iniciativa extracurricular das escolas em tempo integral

Há seis anos, a EE PEI Apaf (Antônio Pinto de Almeida Ferraz), localizada no bairro Caxambu, trabalha com seus estudantes uma importante habilidade em qualquer área de atuação: a comunicação. A Eletiva de Jornal – que começou em 2016, no mesmo ano da mudança da escola para o modelo de tempo integral (das 7h30 às 16h30) – tem formado uma geração de alunos menos tímidos e mais comunicativos. Ao longo deste período, passaram pelo projeto pelo menos 300 estudantes, do sexto ao nono ano.

A proposta faz parte das chamadas “disciplinas eletivas”, uma iniciativa extracurricular que faz parte a grade do PEI (Projeto de Ensino Integral) das escolas públicas do Estado. Além da Eletiva de Jornal, o Apaf conta com diversas outras, como Moda, Sustentabilidade, Jogos, Reciclagem e Meio Ambiente. Semestralmente, os alunos optam por mudar ou não de projeto. É um processo de escolha exclusivamente do estudante.

“A disciplina de Eletivas permite que os alunos sigam seus interesses. Possibilita ao aluno conhecer novos rumos e alterar seu projeto de vida”, explicou a diretora do Apaf, Lilia Maria Cardoso Esquierro.

A disciplina de Jornal é a única que está desde o primeiro ano de PEI do Apaf. Iniciou em um projeto-piloto, com dez alunos dos nonos anos, em 2016. Atualmente, está somente com estudantes de sextos e sétimos anos. Uma das principais missões da eletiva é fazer com que os alunos percam a timidez e aprendam a se comunicar com desenvoltura. Neste contexto, a oralidade e a escrita estão muito presentes, privilegiando o desenvolvimento da Língua Portuguesa, principalmente.

“A eletiva me ajudou comunicar melhor, a não ter mais vergonha de conversar com as pessoas, na autonomia e na criatividade. Isso tudo me ajudou na escola, pois não tinha mais vergonha de perguntar aos professores minhas dúvidas sobre a matéria, e também na vida pessoal: a fazer novas amizades e a ser mais extrovertida”, contou Beatriz Lima, a Bia, ex-aluna que fez parte da primeira turma. Gostou tanto que ficou na eletiva por dois anos: 2016 e 2017, quando se formou.

“Cheguei até a pensar em cursar Jornalismo na época por me identificar com a profissão, mas, atualmente, tenho outros projetos que envolvem, com certeza, a comunicação que aprendi na Eletiva”, completou Bia, que atuava como repórter. “Lembro das matérias que fizemos, das pessoas entrevistadas, inclusive até o prefeito da cidade na época (Barjas Negri), das culminâncias. Sentia orgulho em participar da Eletiva”, completou Bia, hoje com 19 anos.

Para os alunos, as experiências vividas mostram que a função, apesar de ter de mostrar seriedade para passar a informação com credibilidade, traz também um clima de muita amizade e trabalho em equipe. “Eu adorei participar, tanto nesse ano, quanto no ano passado. Uma memória da Eletiva que eu guardo com carinho foi quando nós fomos realizar o vídeo do Dia dos Professores, no ano passado, e de quando nós saímos para fotografar na rua, neste ano”, contou Bruna Matos, aluna do 7º ano.

A perda da timidez é um dos principais temas abordados pelos alunos na hora da autoavaliação, ao final de cada semestre. Eles entendem que, no mundo atual, a comunicação abre portas, seja ela em qualquer profissão. “Eu sempre fui uma garota com um certo receio de me expor ao público e, ao escolher essa Eletiva de Jornalismo, foi um desafio sendo proposto para mim. Com auxílio e incentivo de colegas e professores, consegui me superar” , reconhece Ana Jullya da Rocha, 12, aluna do 7º ano.

‘Quando nós erramos durante a ação, nos divertimos muito’

Nos dias atuais, para se fazer um bom jornalismo, é necessário também se adaptar às novas mídias. Assim, os alunos abriram, há cerca de dois anos, um canal no Youtube e, por lá, postam todas as informações, os plantões noticiosos e a edição do Jornal da TV Apaf, que é a simulação de um telejornal e é apresentado ao vivo pelos alunos durante a Culminância – o trabalho de encerramento do semestre.

A produção do Jornal, aliás, é um dos momentos que eles mais gostam. Sentem muito nervosismo e ansiedade, mas o desafio de fazer bem feito supera tudo. “Eu gosto de todas as partes. Nas gravações, na hora que a gente erra, a gente se diverte muito”, conta Mariana Sotto, a Mari, 12, aluna do 7º ano, que apresenta o jornal. “Foi tudo muito legal, tudo muito engraçado e provavelmente vou levar isso para meu futuro”, completou Mari, há dois anos na Eletiva.

Aprender com o erro, talvez seja um dos mais importantes legados neste trabalho. “A eletiva me ensina várias coisas, como perder a vergonha e o medo de errar. Me ensinou também muito sobre o que é o Jornalismo, que é uma área que eu gosto muito de trabalhar”, diz o aluno João Vitor Martins Spolidoro, 12, também do 7º ano, que está no projeto há três semestres e atua na edição de imagens.

“Nessa Eletiva, tivemos a oportunidade de aprender brincando. Tudo de uma forma muito leve e descontraída; foi um privilégio ver o sorriso estampado nos rostos dos estudantes, que construíram seu conhecimento com alegria”, contou o professor Richard Lorenz, 38.

Trabalho ajuda a desenvolver a autoestima dos estudantes

A diretora do Apaf, Lilia Maria Cardoso Esquierro, lembrou que esse tipo de trabalho na escola, elaborado por meio de projetos, atua muito na autoestima dos alunos. Eles se sentem valorizados pelos professores e, consequentemente, aprendem e produzem com muito mais engajamento e responsabilidade.

“A eletiva de Jornal do Apaf ajuda na comunicação, no desenvolvimento dos alunos em falar em público e trabalha a autoestima, onde o grupo tem a oportunidade de ouvir e ser ouvido. É uma eletiva que temos na escola desde de 2016 e é sempre muito procurada pelos alunos. Eles gostam muito”, explica a diretora.

CURIOSIDADE
O professor Richard Lorenz, 38, um dos que ministram a disciplina, lembrou que os alunos gostam muito e têm muita curiosidade sobre o dia a dia dos profissionais de jornalismo. “Aprendemos muito sobre o ofício jornalístico, além de outras mídias e linguagens, como o YouTube”, contou o professor Richard Lorenz, 38, que leciona a disciplina de História no Apaf, mas tem uma grande experiência no trabalho com as midias sociais.

Erivan Monteiro
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