Projeto Maracatu e os Caminhos Afro-Caipiras

Cortejo realizado antes da pandemia. Foto: Isabela Borghese

Atividade discute a presença e influência negra na constituição de Piracicaba

O projeto Maracatu e os Caminhos Afro-Caipiras acontece neste sábado (2) e domingo (3) às 9h, e traz ao conhecimento público a importância da memória negra da cidade. Durante a programação vai ser realizada rota turística cultural na forma de um cortejo, conduzido pelo grupo percussivo Baque Caipira, com o ritmo do maracatu. As atividades acontecerão na Rua do Porto e no Centro da cidade e serão voltadas à Comunidade Renascer e aos estudantes da Escola Catharina Casale Padovani, de Santa Teresinha.

“Esse projeto contribui para o reconhecimento da presença e influência negra na constituição da cidade, ao mesmo tempo em que possibilita uma vivência rítmica prazerosa por meio do ritmo de maracatu e valoriza as referências culturais brasileiras”, disse Natalia Puke, coordenadora do projeto e integrante do Baque Caipira.

A programação conta com regência rítmica do músico Maicon Araki, o Maikão, e guia histórico de Julia Madeira. O evento proporcionará tradução em Libras de Glaucio Camargo e acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. As ações do projeto são gratuitas e destinadas à população de comunidades periféricas da cidade.

A Casa do Povoador, na avenida Beira Rio, vai ser o ponto de partida de dois trajetos, às 9h. No sábado, a primeira rota seguirá até o Largo dos Pescadores, na rua Morais Barros. No domingo, a segunda rota seguirá até a Igreja de São Benedito, na rua do Rosário, e a Praça Tibiraçá, na rua Alferes José Caetano.

O projeto é financiado pela Lei Emergencial Aldir Blanc e tem apoio da Semac (Secretaria Municipal de Ação Cultural).

HISTÓRICO

De acordo com a educadora Natalia Puke, o maracatu de baque virado é uma manifestação cultural de matriz negra que nasceu em Pernambuco, na região metropolitana de Recife, ainda no contexto da escravidão, como uma forma de resistência. “Hoje o maracatu se expandiu pelo mundo e em Piracicaba ganhou grande representatividade por meio da formação do grupo percussivo Baque Caipira”, disse.

A coordenadora do projeto conta que o grupo, fundado em 2013, é um espaço artístico, educacional e cultural de valorização e difusão da cultura brasileira e afro-indígena. “O Baque Caipira, que é um coletivo independente e sem fins lucrativos, tem desenvolvido uma linguagem própria em relação às composições rítmicas e integra às batidas do maracatu um sotaque afro-caipira, característico das manifestações populares da região do Vale do Rio Tietê”, falou.

O projeto lançará um minidocumentário sobre as ações do Maracatu e os Caminhos Afro-Caipiras em outubro. Durante o evento, o projeto captará a demonstração rítmica/ percussiva do Maracatu Baque Caipira e a apresentação histórica dos locais visitados nos cortejos para a produção audiovisual. O minidocumentário estará disponível nas plataformas digitais, com o objetivo de democratizar os conhecimentos produzidos.

Letícia Santin
[email protected]

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