Protetores pedem Castra Móvel e aumento no número de castrações

Castra Móvel está a cidade há 6 meses, mas ainda não está em funcionamento | Foto: Claudinho Coradini/JP

Os animais também fazem parte da sociedade e, por isso, requerem cuidados e políticas públicas para seu bem-estar, em especial aqueles que não têm um lar. Mas, como não são capazes de expressar suas necessidades em linguagem que nós, humanos, entendemos, os protetores entram em ação. Em Piracicaba, esses representantes reivindicam da nova gestão, principalmente, o funcionamento do Castra Móvel (veículo destinado à castração de animais em áreas periféricas) e consequente aumento das castrações na cidade.


Presidente da SPPA (Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais), Luís Américo Chitolina, lembra que a verba parlamentar proveniente do deputado federal Ricardo Izar (PP) para aquisição do veículo veio para a cidade por intermédio da entidade e que o veículo já está aqui, pelo menos desde junho, porém parado.

A reportagem do Jornal de Piracicaba conversou com grupos de protetores da cidade para entender as principais reivindicações. Além do funcionamento imediato do Castra Móvel, Chitolina elenca outros cinco pontos que avalia serem essenciais para o bem-estar animal na cidade. O primeiro é a “chipagem”, para responsabilizar o tutor pelo animal. Em seguida, as castrações, exigindo mais produtividade do Canil Municipal. Também elenca uma legislação que fiscalize e puna os responsáveis por maus-tratos, assim como uma política específica para atender as denúncias nesse segmentos, por meio do Pelotão Ambiental da Guarda Municipal. E atendimento veterinário para animais acidentados 24h, incluindo sábados, domingos e feriados.

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Para Elcian Granado, representante do grupo ‘Gatos do Cemitério’, além do funcionamento do Castra Móvel, a primeira providência é “mudar a direção da Zoonoses”. A medida que ela considera urgente ainda nesse segmento é o aumento de castrações mensais. “Para janeiro foram abertas 360 vagas de castração. Eu conheço veterinários que, sozinhos, fazem mais que isso no mês. De início a prefeitura deverá oferecer 1.000 no mês e aumentando”, comenta.


Segundo a lista das prioridades das protetoras do grupo ‘Gatos de Rua’, Isabela Bailarini, Paola Simonaggio, Cintia Freitas, Gracia Capato, Nice Moura, Ana Paula Schiavuzzo, é necessário ter recursos para castração em massa; fiscalização de maus tratos; acompanhamento nas casas para saber se os tutores não são negligentes quanto à castração; mais verba para vacinação; o Castra Móvel; conscientização sobre adoção consciente nas escolas e o hospital veterinário.

Protetores cobram mais produtividade de castração no Canil Municipal | Foto: Claudinho Coradini/JP


O grupo ‘Tutor com Amor’, formado por Patricia Baxega, Francisco Rodrigues e Laís Gava, elenca a castração como principal foco para melhorar a situação dos animais de rua, atuando em comunidades para fazer ainda levantamento de quantos animais precisam do procedimento, além de ações de conscientização da população sobre a necessidade de castrar.


PREFEITURA
De acordo com a prefeitura, o Castra Móvel passou por fiscalização do CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária) de São Paulo, que exigiu compra de equipamentos “para adequação do uso de cada um dos seus compartimentos, e a aquisição dos mesmos está sendo feita pela Secretaria de Saúde”, diz em nota.

Quanto ao seu funcionamento, a nota informou que – assim que estiver devidamente equipado e com estrutura aprovada – em conjunto com o Copet (Conselho de Proteção e Defesa dos Animais) vai definir “o melhor uso do equipamento social”.

Questionada sobre a troca na direção da Zoonoses e de ampliação de verbas para vacina, a pasta afirmou que vai responder na próxima semana. Quanto às castrações, a prefeitura informou que os mutirões de castração que eram realizados pela SMS (Secretaria Municipal de Saúde) em tendas infláveis não são mais autorizados pelo CRMV.

“Para ampliar a oferta de castrações, a Secretaria de Saúde comprou 1.500 cirurgias junto às clínicas privadas, que, somadas ao montante das cirurgias realizadas no Centro Cirúrgico do CCZ, atendeu a demanda anual (2020). Um novo processo de contratação deste serviço poderá ser realizado a partir de estudos que estão sendo realizados pela pasta”, afirmou, lembrando que o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) tem planejado ofertas aproximadamente 600 cirurgias e “a isso se somará a capacidade do Castra Móvel a partir do momento da liberação do seu uso”.


ESTRUTURA EXCLUSIVA
De acordo com a nova gestão, está na agenda das políticas públicas para animais de rua a criação de estrutura de serviços especializado em saúde, proteção e bem-estar animal, “considerando-se que essa não é uma competência legal de um Centro de Controle de Zoonoses, que tem todo o seu trabalho focado na prevenção e enfrentamento de doenças transmitidas às pessoas pelos animais”, informou.

HOSPITAL VETERINÁRIO
Há onze meses o Hospital Veterinário aguarda o processo de licitação para que seja construído. Terreno de 1.742 m² foi cedido – em fevereiro de 2020 – pela prefeitura, no bairro Jardim Terra Rica 3, ao Estado para que o construa por meio do Programa Meu Pet. Mas, pelo menos desde outubro, o Estado realiza os estudos técnicos e financeiros para a elaboração do processo licitatório, conforme publicado em 8 de outubro pelo JP.

Prefeitura informa que vai criar um setor dedicado á saúde, proteção e bem-estar animal | Foto: Claudinho Coradini/JP

A reportagem questionou novamente o Estado, mas a informação é de que não há novidades no processo, bem como não há retorno quanto à moção aprovada pela Câmara em outubro para que o hospital também atenda animais silvestres, aves e equinos.

Andressa Mota

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