Qual será o papel das cidades no futuro?

Muito se fala sobre as cidades do futuro e agora, em função do momento em que vivemos, o seu papel tem sido amplamente discutido, pois é nela que as coisas acontecem. Nesta linha de pensamento muitos pesquisadores olham para o futuro e buscam compreender o que nos espera.

Teemu Alexander Puutio, pesquisador da Universidade de Turku, na Finlândia, estudou durante anos o tema e concluiu, entre outras coisas, que as cidades terão no futuro um papel ainda mais importante do que atualmente. Puutio mostra uma visão bem otimista das grandes cidades do futuro. Segundo o pesquisador, a proximidade geográfica não será um impedimento para que se criem “alianças urbanas internacionais” e para que os empreendedores fundem suas próprias multinacionais e aumentem a “soberania urbana” para acabar com a corrupção.

Algumas de suas previsões para o futuro são bastante fascinantes e destaca o papel das cidades neste contexto. São elas: A ‘geração C’ reinventará o trabalho; A economia local será mais importante; As ‘micromultinacionais’ se expandirão pelo mundo; As cidades terão maior liderança que os países; Aumentar a ‘soberania urbana’ para frear a corrupção.

A chamada “Geração C”, também conhecida como geração conectada, inclui aqueles que nasceram em um mundo digital e ocupam grande parte do dia online. Alguns dizem que eles serão os sucessores dos millennials, e outros especialistas consideram que essa classificação não tem a ver com a idade, mas com o nível de produção de conteúdos digitais nas redes. De qualquer forma, a “Geração C” trabalhará em linha, algo que impactará o funcionamento e o desenho das cidades.

Considerando que as cidades estão ficando cada vez mais independentes dos poderes centrais e gerando cada vez mais riqueza e inovação em comparação com os recursos que estão consumindo, elas se transformaram em uma espécie de laboratório para a busca de soluções difíceis de abordar em grande escala. Por outro lado, as cidades também produzem mais crimes, doenças e desigualdade. Mas diante da visão otimista de Puutio, as cidades criarão mais oportunidades para seus habitantes, porque são ecossistemas que podem economizar recursos em certas áreas.

Micromultinacionais são as companhias que nascem já como empresas globais. É um conceito tão amplo que qualquer negócio pequeno que venda seus produtos a milhares de quilômetros de distância por meio de uma plataforma digital poderá ser enquadrado dentro dessa categoria. De acordo com o pesquisador, serão criadas “poderosas alianças urbanas internacionais” em relação a interesses comuns. Essa tendência é visível, segundo Puutio, em organizações como a Liga Nacional das Cidades dos Estados Unidos ou o Parlamento Global dos Prefeitos, onde as autoridades locais criaram vínculos que vão além da proximidade geográfica ou das ideologias políticas.

Graças à internet e o acesso cada vez mais amplo à informação, os cidadãos terão mais ferramentas para exigir a prestação de contas de governos locais, com um maior poder de fiscalização de seus representantes. A corrupção, a ineficiência, o desprezo da opinião pública serão mais difíceis de acontecer no futuro, onde a informação fluirá livremente. A previsão de Puutio é que a discussão sobre o poder econômico começará a acontecer nas cidades e não parará apenas nas capitais.

É difícil que possamos ver o significado dessas mudanças que estão em curso nas nossas vidas. No entanto, estamos seguros de que poderemos ver governos sendo substituídos em um ritmo muito mais rápido do que há alguns séculos, quando os governantes eram praticamente intocáveis.