Qualidade do ar despenca devido aos poluentes

Piracicaba
Poluente com maior concentração é o material particulado.

Poluente com maior concentração é o material particulado. (Claudinho Coradini/JP)

 

O fenômeno meteorológico que provoca a estiagem e a baixa umidade relativa do ar de Piracicaba também fez despencar a qualidade do ar na cidade. Nos últimos 30 dias, o ar esteve na condição “Boa” em apenas duas oportunidades. Nos outros 28 dias, a condição variou entre “Moderada” (26 ocorrências) e “Ruim” (em duas oportunidades). Em maio, igualmente seco, foram 21 dias de ar na condição “Boa”. Nos primeiro 20 dias de junho, a condição foi moderada em apenas duas oportunidades, nos demais dias, esteve “Boa”.

Os dados são da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). O poluente com maior concentração e que é responsável por derrubar a qualidade do ar piracicabano é o material particulado – MP10 (Partículas Inaláveis) e o MP2,5 (Partículas Finas Inaláveis). A legislação estabelece como 120 microgramas por metro cúbico o limite aceitável do padrão diário de concentração de MP10 na atmosfera. Esse padrão foi ultrapassado no dia 8 de julho, quando o resumo do dia apontou para 131 microgramas por m3.

Além de fornecer a média diária, a Cetesb também fornece os dados horários. Constata-se que, em Piracicaba, os horários mais críticos são as últimas horas da noite e as primeiras horas da madrugada. O pico foi registrado na madrugado do dia 8, quando, na primeira hora daquele dia, a concentração chegou a 326 microgramas por m3.

Material particulado é o conjunto de poluentes constituídos de poeiras, fumaças e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera por causa de seu pequeno tamanho. Esse tipo de poluente é emitido por veículos, processos industriais e queimadas. No caso dos veículos, as emissões são provocadas tanto pela queima de combustíveis quanto pela ressuspensão da poeira do solo. O fato de o perímetro urbano de Piracicaba ser rodeado por ampla área de zona rural, na qual há grande movimentação de veículos, é apontado como uma das possíveis fontes de emissão.
Segundo a gerente do departamento de Qualidade do Ar da Cetesb, Maria Helena Martins, a situação de Piracicaba se assemelha aquilo que se observa em outras cidades do mesmo porte no Estado de São Paulo. Ela afirma que a melhoria imediata da qualidade do ar, pode vir por meio da mudança das condições climáticas. “A médio prazo, talvez programas de controle das fontes de emissões industriais e veiculares contribuam”.

Ela disse que a baixa umidade agrava o problema, porém não é causa da queda na qualidade do ar. Na verdade, explicou ela, o fenômeno meteorológico que causa a baixa umidade é o mesmo que faz aumentar a concentração de material particulado, porque torna as condições desfavoráveis para a circulação dos poluentes. Isso explicaria também a maior concentração durante as madrugadas, quando a atmosfera está mais estável (com pouca ventilação) e ocorre a chamada “inversão térmica de baixa altitude”.

Maria Helena afirma que quando o ar está na condição “Moderada” ocasiona problemas respiratórios nas pessoas “mais sensíveis”. “Quando está ruim, afeta a população em geral”.

 

(Claudinho Coradini/JP)

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