Quando o sexo passa a ser compulsão

Foto: Pexels

“O ato sexual quando se torna uma compulsão passa de hábito à patologia e em um caso com sintomas crescentes pode levar a perda da vida social, saúde, emprego e condição financeira em três anos” (Carmita Abdo, Psiquiatra e fundadora do ProSex,Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas).

Filmes e séries que batem recordes, livros que se tornam best-sellers, sites, programas e muitas outras mídias (que aparecem a qualquer hora do dia e da noite) invadem a mente das pessoas tentando “maquiar o monstro”. Como disse o dramaturgo francês Moliere: “Todos os vícios, quando estão na moda, passam por virtudes”.Não se iluda, ao que eles tentam dar glamour, o que existe mesmo é uma séria doença, que precisa de tratamento.Entretanto, há um verdadeiro abismo entre gostar e precisar de sexo, isso porque o compulsivo por sexo tem uma necessidade contínua de conviver com pensamentos, contatos, visualizações ou atos sexuais, independente da hora e do lugar, e o complicador é que sexo proporciona prazer, portanto, a compulsão (em si) deixa de incomodar, em função do prazer (inicial), que inibe a sensação de estar fazendo mal (o que ocorre após o prazer inicial). Isto explica a existência de muitos compulsivos que demoram a procurar ajuda.

Compulsões tem origem em situações reprimidas no inconsciente, portanto, uma forte ligação com um passado mal entendido ou resolvido; por terem sido consideradas nocivas a vida emocional ou física da pessoa, como sexo repressor, invasor, má educação sexual e tantas outras situações a que muitos seres humanos são expostos, consciente ou inconscientementee têm muito a ver com ansiedade, chegando a ser uma consequência dela. Se em fases prematuras, sem um conhecimento ou um amadurecimento necessário, o inconsciente não consegue “significar” os fatos e os entende como erro, culpa, problema, desvio, enfim, sentimentos confusos e destruidores são anexados a história da pessoa, acompanhando-a no decorrer da vida e produzindo problemas dos mais variados tipos.

Diante desse cenário, portanto, é improdutivo “proibir” a pessoa de agir como está agindo ou fazer terrorismo verbal/emocional. Isso apenas vai fomentar a ansiedade ou canalizar esta energia para algum outro comportamento compulsivo, agravando o quadro, o que acontece em muitos dos casos.

A maioria absoluta das compulsões – não só sexuais – bem como dos transtornos ou problemas emocionais de alguém, tem ligação direta com seu passado e com o desenvolvimento de sua construção psíquica ao longo do tempo.

Compulsivos demoram para entender que o são e dificilmente se livram disso sozinhos. Precisam de ajuda profissional. Na verdade, os problemas emocionais sabotam as pessoas – além do sofrimento que causam – tirando delas o verdadeiro sabor da vida.Portanto, ao buscar ajuda, você também precisa entender que a terapia deve agir com base na história detalhada e particular de cada indivíduo, sem receitas prontas e nunca sem dois ingredientes fundamentais: amor e competência.

“O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade”. (Epicuro)

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