Quando os papéis se invertem e quem cuidou agora é cuidado

Foto: Alessandro Maschio/JP

A merendeira Ana Maria Carneiro Laisth, 55 anos, trabalha de segunda a sexta-feira e cuida do pai, o aposentado Natanael Carneiro 81 anos e da mãe Maria de Jesus Almeida, aos finais de semana. O pai trabalhou a vida toda como armador de ferro e ajudou a construir um dos primeiros edifícios de Piracicaba. Devido os cuidados que o casal exige, os quatro filhos se revezam para garantir o conforto e segurança dos pais. Mas nem sempre foi assim, como conta a primogênita.

“Meu pai sempre trabalhou para garantir a nós tudo do bom e do melhor, quem soube aproveitar as oportunidades que ele nos deu, está muito bem hoje”, garantiu. Ana vai para a casa dos pais, no Jardim Elite, na sexta-feira, apos sair do trabalho.

“Vou pra lá e fico o fim de semana. Cuido deles e limpo a casa. Deixo tudo em ordem e no domingo à noite eu volto pra minha casa. E tudo o que eles precisam a gente faz o possível pra não faltar nada a eles”, afirmou.

Ana admite que a necessidade de cuidar dos pais nessa altura da vida trouxe a chance de ambos terem mais intimidade. “Por eu ser a mais velha, não tinha tanta intimidade com eles tanto na minha adolescência como depois de casada. Quando me casei fiquei um pouco distante deles, tive meus filhos, minha mãe cuidou dos dois mais velhos e, mesmo assim, não tínhamos intimidade, hoje não, a gente senta e conversa e percebo que isso faz bem a mim e a eles, é muito bom”, confessou.

Ela conta que nos últimos dois anos os filhos precisaram olhar para os pais de outra forma. Até então, segundo Ana, ela era visita na casa dos pais. “Eu ia lá com meus filhos e meus netos. De dois anos para cá eu vou lá fico com eles, e está sendo muito gratificante”, afirmou.

O pai, devido a obesidade, não consegue tomar banho sem a ajuda de alguém. Ana disse que ela e ele precisaram enfrentar a ‘vergonha’ e o constrangimento e passou a dar banho.

As filhas pensam em colocar uma cuidadora ou cuidador para ficar com os pais durante o dia, mas eles resistem à idéia de uma pessoa estranha na casa.

Ana contou que, no início da pandemia passou a ficar todo o tempo com os pais. “Praticamente eu fiquei um ano inteiro com eles, deixei meu marido e os três filhos porque acho que eles (pais) precisavam mais de mim”, falou.

A merendeira disse que os irmãos se revezam para cuidar dos pais como podem, pois precisam trabalhar e ajudar o casal também financeiramente. “Minha mãe fala que ama a todos, os netos e bisnetos, mas não abre mão de ver os filhos, sempre. Já o meu pai gosta muito de conversar, ele sente falta disso”, contou.

Beto Silva
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