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Os médicos, que, na linha de frente, vêm salvando vidas. É o que mais têm feito, embora muitos não se deem conta. Nestes tempos de angústia, não importa onde chamam por eles. Aí estão minimizando sofrimento e dor.

Sempre os vi assim. Se os frequento, se os escolhi e os tenho contando-lhes como me trata a vida ao sentir-me envelhecendo, é por confiar neles e saber da sua disponibilidade em cumprir, como prometeram um dia, palavra por palavra, o juramento feito.

Alguns foram meus alunos. Orgulho-me deles. Eu, que os vi adolescentes, pude entender, ali, como se comportavam diante do conhecimento que se lhes era apresentado. Devotados a livros, a descobertas novas, à inquietude tão própria de jovens diante do futuro, da escolha por profissão notável, posso, agora, como outros tantos pacientes seus, entender o respeito que demonstram à vida e o desejo de preservá-la da melhor forma.

Ao terminar, tantas foram as lamúrias apresentadas a 2019, pode parecer ingenuidade, dizer que, insurgido, amaldiçoou os que lançaram impropérios a seus dias para que se ampliassem as esperanças no ano novo. Os místicos insistiam em ver cabalístico o novo tempo ao juntar números iguais, sinalizando, com isso, bons presságios. Mal sabiam que, com ele, viria a novidade da Covid19, como se fosse castigo, obrigando, quem mal disse, a entender ter deixado para trás um feliz ano velho.

É preciso, ao final de cada período, parar de cometer injustiças nestas avaliações ditadas no calor da hora quando celebrações de esperança prometem ver, de forma misteriosa, enigmática e incompreensível, brotar tão somente o bem, da euforia do instante.

A partir de então, assim fosse, se realizaria tudo aquilo que se deseja, com total confiança no bem e em coisas boas. Não se deram conta de que o ano terminado, deixara, em seus últimos dias, no outro lado do mundo, uma síndrome respiratória grave, sem que dela se soubesse a origem, a causa e a extensão do mal. Houve até mesmo quem dissesse, passados dias, que se parecia a uma gripezinha qualquer a ser curada com qualquer mezinha existente.

A mim, como o que me resta é ler e aprender com isso, fui assimilando uma preocupação tal que se aliviava tão somente ao ver o esforço sobre-humano feito pelos profissionais da saúde, todos eles, comandados por médicos intensivistas na sua maioria, de forma destemida e valente.

Bom seria falar destes que, esquecidos de suas famílias, de seu lazer, de seu desejo incontido de saborear um bom livro, se enfiaram nos hospitais com garra e fé para entender uma doença desconhecida e, sabendo-a letal, salvar pacientes. A muitos, traiçoeira que é, os levou impiedosamente, ignorando no seu grau de letalidade, a falta que fariam na semeadura do bem. Pareciam vingados pela enfermidade por seu desejo incontido de buscar solução para tanta desgraça.

Apesar do medo e da angústia, vibrei por eles. Sufocado pela emoção, os via, soldados rebeldes, enfrentando a guerra como se ignorassem o valor místico do sofrimento, para impor o valor da consciência diante da morte. Lutaram. Como lutaram! Seguem lutando uma vez que o pesadelo paira sobre o universo.

Perdi um sobrinho. Perdi amigos. Não pude inflá-los com o sopro da amizade e do carinho. Tampouco aos médicos que os atenderam e menos ainda aos que, por atender a tantos doentes, sucumbiram na doença. Neste cenário, desenharam solícita solidariedade, despojamento, fazendo prevalecer o valor da jura oferecida em favor da vida. Em pé os aplaudo, a todos. Bravos! Bravos!

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