Ranking nacional coloca Semae em 3º lugar nas perdas de água

Foto: Claudinho Coradini/JP

Diagnóstico é feito com base nas informações do município prestadas ao sistema de saneamento

Piracicaba é o terceiro município com maior perda de águas tratadas nacionalmente para um grupo de 27 cidades de maior porte consideradas pelo Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS). O ranking aponta que 56,8% da água tratada foi perdido durante a distribuição em 2019 – o diagnóstico é alimentado por cada cidade, seja por companhias, autarquias, ou pelas próprias prefeituras, todos denominados no SNIS como prestadores de serviços. Conforme o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), o índice desta semana se encontra em 45,3% – figurando ainda acima da média Brasil de 39,2%. O assunto é um dos focos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Semae, instaurada na Câmara Municipal.

O volume médio distribuído pelo Semae é 5,64 milhões de metros cúbicos. Transformando em litros e aplicando a porcentagem, Piracicaba perde, ao mês, 2,55 bilhões de litros de água tratada. O perfil do consumidor residencial detém a maior demanda: 86,83%. As áreas comercial e industrial usam, respectivamente, 11,88% e 1,29% do que é produzido pela autarquia.

Na gestão 2013-16 do prefeito Gabriel Ferrato (DEM), houve um Plano de Combate às Perdas entre 2013 e 2014. A previsão era de que, com o plano e recursos oriundos da cobrança pelo uso da água e da contrapartida do Semae, em 2018, a cidade teria 90% da estratégia concluída para derrubar o índice de desperdício. Segundo registros da prefeitura, o resultado do plano era o de chegar a menos de 25% de índice de perdas.

Na época, Ferrato declarou que Piracicaba seria uma das melhores cidades em saneamento básico do país. Mas algo não deu certo de lá para cá. A assessoria de imprensa do Semae informou que a autarquia está contratando uma empresa pra reestruturar e definir metas quanto às perdas.

Plinio Camargo, professor do Cena-USP (Centro de Energia Nuclear da Universidade de São Paulo) e responsável pelo Grupo de Estudo e Práticas do Uso Racional da Água da mesma instituição, critica a situação a aponta quais direções o município deveria tomar.

“O valor de perdas atual é muito elevado. Piracicaba está neste patamar alto há muitos anos, o que significa que há pouco investimento em recuperação desses vazamentos. É preocupante principalmente neste momento em que temos pouca água [por conta da estiagem]. Cada hora existe uma desculpa: porque a rede é velha ou alta pressão.”

Quanto ao consumo de água, Camargo dá uma solução: um racionamento com base em prêmios assim que houver uma sinalização de crise hídrica, concedendo desconto proporcional à economia feita por cada unidade de consumo.

“Cobrar mais para poder limpar e produzir a água, não é o caminho. Acompanho o tema desde o final da década de 90 e as reduções de perdas conseguidas são muito baixas.”

Camargo lembra de um grande investimento Limeira, utilizando como exemplo a ser seguido – a cidade vizinha aparece como melhor colocada no ranking do SNIS com perdas de 12,3% na distribuição de água.

Cristiane Bonin
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