Recomeço longe das muralhas

Cleiton Luiz Gonçalves teve o apoio da família para cumprir sua pena e hoje busca uma nova vida. (Foto: Reprodução)

Recomeçar. Essa é a palavra para quem cumpriu sua pena com a Justiça e pode ter a oportunidade de ter um novo olhar a partir das muralhas ou o portão de ferro maciço das unidades prisionais. Como cada um entrou no submundo no crime faz parte de suas próprias escolhas ou ações, mas como pretendem sair delas, aí podem ter uma ajudinha a mais. Seja por meio de educação dentro das unidades prisionais, como nos cursos ministrados, que podem ter um norte para uma nova vida longe das celas.

Cleiton Luiz Gonçalves, 40, conseguiu dar a volta por cima e após cumprir sua pena e hoje conseguiu retomar seu negócio, mas sua superação não foi fácil.



Ele foi atraído pelo tráfico de drogas após ficar endividado com bancos e caiu nas mãos dos agiota. Um conhecido apresentou-lhe algo rentável e em um pouco mais de um ano conseguiu quitar suas dívidas. Viu seu padrão de vida melhorar, conheceu outras pessoas, mas não percebeu que essa “vida fácil” tinha um preço muito alto.

“Fui um traficante conhecido na cidade de São Roque. Um dia fui buscar drogas em Americana, mas meu contato estava em uma escuta telefônica e fui preso no dia 19 de fevereiro de 2016, meu mundo caiu”, disse Gonçalves,

Segundo ele, depois de cair no fundo do poço, fui por meio da igreja que encontrou dentro da Penitenciária Masculina de Piracicaba, ele conseguiu aos poucos a força necessária para superar seus medos.

“Fui condenado a 14 anos, depois minha pena caiu para nove anos, após recurso, e acabeu cumprindo quatro anos. Sempre trabalhei nas unidades por onde passei e na Penitenciária de Piracicaba fui o primeiro bibliotecário da unidade. Hoje sou servo de Deus e estou de volta para os braços da minha família. Sou casado há 17 anos, e minha esposa sempre me apoiou durante esse tempo. Tenho dois filhos de 19 e dez anos”, afirmou.

Para Gonçalves, o Natal é um dos piores momentos dentro do cárcere. “A gente tem acesso à televisão dentro da unidade e a gente vê as festas e confraternização com a família. Lá dentro eu só queria saber de dormir, para esse período passar mais rápido. Graças a Deus, hoje tenho a oportunidade de ficar novamente com a minha família e é aqui que quero ficar”, afirmou Gonçalves.

FÉ NAS PESSOAS

A cabeleireira Denise Junqueira é idealizadora do projeto Art Hair, desde 2010, no CR (Centro de Ressocialização) de Piracicaba e depois para os demais presídios da cidade.

“Eu acredito em Deus e nas pessoas. A gente sabe que as portas não se abrem ao egresso. Quando levo o curso, vou pensando em oferecer uma ferramenta de trabalho e uma oportunidade de vida. Para que possa conseguir seu sustento sem delinquir novamente”afirmou.

Denise acredita que contribui para fazer um resgate por meio da profissão.

Cristiani Azanha

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