Recuo da pandemia foi razão da compra da merenda para 90 dias

A compra de merenda para a totalidade dos alunos na rede pública foi decidida,segundo a prefeitura, “pela incerteza do avanço ou recuo da pandemia” da covid-19 no curto prazo. Temendo uma fase com mais relaxamento, quando 70% a 100% dos estudantes retomassem as aulas nos próximos 90 dias período que vigora o novo contrato emergencial de R$ 16,5 milhões com a Horto Central Marataízes a decisão da prefeitura foi a de manter o custeio da alimentação.

Infectologistas descartam a possibilidade de atingir a imunização coletiva entre agosto e fim de 2021 o que daria segurança ao retorno mais massivo dos estudantes às escolas. A gestão atual também alegou estar acuada dentro de uma decisão emergencial posta pelo governo do antecessor Baras Negri, o que foi contestado ontem pelo diretório municipal do PSDB veja intertítulo ‘POLÍTICA’

O médico infectologista Tuffi Chalita, descarta que as aulas presenciais acontecerão em 2021. “Não, não acredito (que as escolas poderão voltar a receber 70% a 100% dos alunos) pelo ritmo da vacinação. Vacinamos pessoas com mais de 60 anos e, agora, estamos interrompendo em favor daquelas com menos idade e com comorbidades. (…) Para este ano, não haverá solução. O ano letivo, na forma presencial, está perdido.”

Na mesma linha, o também médico e infectologista Hamilton Bonilha, não aposta no retorno das aulas de forma mais ampla nos próximos meses. “A flexibilização dessas medidas de prevenção vai depender do Brasil conseguir atingir a meta de vacinar mais de 70% da população, o que acho difícil acontecer até agosto. Essa cepa viral P1 de Manaus, com prevalência em nossa cidade superior a 90%, além de mais agressiva, tem um poder de transmissibilidade maior, portanto, manter o distanciamento social e o uso de máscara é fundamental.” Estas e outras questões surgiram após a manchete de ontem do Jornal de Piracicaba, sob o título na matéria “Prefeitura compra R$ 16,51 mi em merenda para escolas vazias”

ESTOQUE
Outro ponto levantando pela prefeitura sobre a novo contrato da merenda para todos os 63 mil alunos da rede pública (estadual e municipal) faz defesa em cima de regras contratuais. O Executivo deve saldar o mínimo de 75% do que foi comprado.

Em tese, das 2,7 milhões de refeições adquiridas, 35% seria consumida e os outros 40% retornariam em forma de insumos à DAN (Divisão de Alimentação e Nutrição).

Este estoque passaria a ser oferecido às escolas que praticam sistema de autogestão alimentar de seus alunos não foi informado quantas unidades cuidam da merenda em paralelo à terceirização e preocupações com o escoamento dos itens frente ao prazo de validade.

NOVA EMPRESA
Para a prefeitura, a localização da empresa Horto Central Marataízes no Espírito Santo, distante 955km de Piracicaba, não impede a qualidade na entrega de alimentos. Sob alegação de excelência em logística e condição de fornecedora para grandes empresas e escolas a qualidade da alimentação, entrega e recursos humanos foram asseguradas como confiáveis pela prefeitura. A Divisão de Alimentação e Nutrição é o órgão fiscalizador dos serviços prestados pela empresa terceirizada.

POLÍTICA
O PSDB de Piracicaba não gostou nada da acusação de o risco atual na oferta da merenda ter respingado na gestão de Barjas Negri. Em nota, o partido diz ser mentira a alegação que o contrato com a terceirizada Nutripuls foi encerrado dia 29 de março passado. Também há uma discordância sobre atraso para um novo processo de licitação. Um pregão eletrônico foi publicado em 23 de dezembro, processo que foi suspenso pela atual gestão de Luciano Almeida (DEM) em 5 de abril deste ano.

“Agora, cabe à atual gestão explicar os motivos pelos quais não conseguiu finalizar o processo licitatório iniciado em 23 de dezembro

  • e a necessidade do contrato emergencial”, finaliza a nota tucana.

Cristiane Bonin

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