Preso estuda dentro da unidade (Divulgação)

Duzentos e sessenta e oito reeducandos das unidades prisionais de Piracicaba, que estão regularmente matriculados nas escolas vinculadoras, encararam um novo desafio nesta pandemia. Manter os estudos, diante do distanciamento também das professoras, que assim como os visitantes, deixaram de entrar nas unidades. A alternativa encontrada foi a realização do ensino não presencial.

Bruno Correa Múfalo, diretor do Grupo Regional de Ações de Trabalho de Educação, da CRC (Coordenadoria da Região Central), que conta com 39 unidades prisionais enfatiza que a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) criou com rapidez um alternativa para evitar a suspensão dos estudos. “Atualmente, eles recebem o conteúdo programático e tem 15 dias para concluí-los. Esse material é entregue ao professor que realizará a avaliação e irá quantificar as horas utilizadas pelo reeducando, que a cada 12 horas de estudo tem um dia da pena de remição”, afirmou Múfalo.

Bruno Correa Múfalo é diretor do Grupo Regional de Ações de Trabalho de Educação,
da CRC (Divulgação)

Segundo ele, o material fica em quarentena tanto na entrada como na saída das unidades prisionais. “Queremos preservar a saúde de todos. Tanto dos ressocializandos como dos nossos servidores e professores”, afirmou. “Ressaltamos que a educação é importante no processo de ressocialização em todos os momentos, mas principalmente nesse período.”

A diretora da Escola Estadual“ Prof. Elias de Mello Ayres” Miriam Henrique de Araújo Andrade, que atua como escola vinculadora na Penitenciária Masculina, desde 2016, aponta que desde o início da pandemia houve a preocupação de como se seria o atendimento aos alunos tanto da escola regular quanto daunidade prisional. “Sabíamos que seria um desafio e nos preocupávamos com a dificuldade de compreensão do conteúdo programado e de como seria possível essa interação já que a prioridade era a preservação da saúde física e psicológica de todos”, disse Mirian.

A diretora do Centro de Trabalho e Educação, da Penitenciária
Masculina, Priscila Almeida da Cunha destaca que foram criadas alternativas para que todos os reeducandos matriculados pudessem
continuar os estudos. “Disponibilizamos o uso dos materiais escolares dentro do pavilhão e todo o suporte necessário aos mesmos seguindo as normas de segurança”, afirma.

Priscila enfatiza ainda a alegria em poder mediar a continuidade ao acesso a educação aos reeducandos mesmo em tempos de pandemia e complementa. “Já vimos muitas transformações desde a inauguração da unidade. É um orgulho desenvolver um trabalho tão gratificante dentro
da penitenciária e com a parceria entre escola e unidade prisional os resultados aparecem de forma concreta nas conclusões dos ciclos. Nesse primeiro semestre, tivemos 20 reeducandos concluintes”, destacou.

Cristiani Azanha

[email protected]

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

quatro × quatro =