Refugiados: Eles deixam tudo para trás, menos a esperança de dias melhores

Sameh Brglah faz parte dos 13,2 mi de sírios refugiados (Claudinho Coradini/JP)

A busca do estudante Sameh Brglah, 27, por um lugar seguro para fugir da guerra na Síria, da possibilidade de se tornar um soldado e de não poder estudar começou em 2012. Depois de ter passado por países como Líbano, Jordânia, Singapura, Malásia e Turquia, em 2015 chegou ao Brasil. Sem a família, mas com ajuda da comunidade síria de São Paulo, adaptou-se à cultura do país (tão diferente da sua), enfrentando o desafio da nova língua, e encontrou na FOP (Faculdade de Odontologia de Piracicaba) Unicamp a receptividade que precisava para construir sua carreira e seu novo lar.


Sameh faz parte dos 13,2 milhões de sírios refugiados, solicitantes da condição de refugiados e deslocados internamente, o que representa um sexto dos refugiados no mundo até o final do ano passado, segundo o relatório “Tendências Globais 2019” do Acnur (Agência da ONU para Refugiados). O conflito na Síria já está no seu décimo ano. Sameh não vê perspectiva de voltar tão cedo para lá ao menos visitar a família, que não encontra desde 2012.

No mundo, segundo o relatório, uma em cada 95 pessoas está na condição de refugiada. São 79,5 milhões de pessoas nessa situação por guerras, conflitos e perseguições. O relatório foi publicado na quinta-feira (18), dois dias antes do Dia Mundial do Refugiado celebrado hoje (20). “Um número sem precedentes, jamais verificado pelo Acnur”, disse a agência em nota. No final de 2018 eram 70,8 milhões.

Com a pandemia, os desafios dos refugiados aumentaram visto a crise econômica, a questão sanitária e o fechamento de fronteiras. Miguel Pachioni, assessor de informação pública do Acnur, conta que a agência tem realizado ações específicas para promover as condições adequadas de higiene e limpeza, além de informações. “Tem uma questão muito séria de proteção relacionada aos riscos de despejo que essas pessoas eminentemente estão enfrentando, até porque se perde a renda por um lado deixa-se de pagar o aluguel”, comenta.

Ilustra a questão levantada por Pachioni o despejo de famílias haitianas que também moravam na comunidade Taquaral, em Piracicaba, reintegrada à posse do proprietário em 7 de maio, conforme lembrou Birajara Cristiano de Barros Sabino, coordenador geral da Casa do Hip Hop.

A entidade tem atendido 45 famílias haitianas, de diversas comunidades da cidade, com cestas básicas, kits de higiene e limpeza, além de agasalho durante a pandemia.

A Casa do Hip Hop continua a arrecadação de mantimentos e de agasalhos hoje (20), a partir das 10h, na rua Jaçanã Altair Pereira Guerrine, 188, no bairro Pauliceia.

Uma das pessoas que ajudou a Casa a reunir as famílias haitianas foi Dolems Desouvre, condutor de empilhadeira atualmente desempregado, que deixou o Haiti em 2013 para buscar melhores oportunidades de trabalho no Brasil.

Além do alento material, a entidade também leva informações sobre a pandemia e visa entender as necessidades dessas famílias. “A ideia nossa é aproximar eles do nosso cotidiano”, conta Sabino.

Para discutir os desafios dos refugiados durante a pandemia, o Sesc SP promove uma live hoje, às 16h, em seu canal YouTube. Além disso, também está disponível um tour virtual na exposição “Em casa, no Brasil”, que o Sesc Piracicaba recebeu no final do ano passado e que mostra como é uma unidade de habital de refugiados utilizada pelo Acnur, além de trazer depoimentos de refugiados.

Andressa Mota

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