Duas novas famílias de refugiados venezuelanos chegaram a Piracicaba nos últimos 15 dias. Com isso, o número de pessoas que fogem da ditadura do presidente Nicolás Maduro e buscam abrigo na cidade sobre para dez.

As famílias chegaram ao Brasil com o apoio da igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os refugiados entram no Brasil a partir de Roraima e de lá são encaminhados aos estados e cidades que oferecem ajuda.

Em Piracicaba há mais de 15 dias, os seis membros das duas famílias foram instaladas em um apartamento em um residencial localizado na avenida Ondas.

O advogado Jesus Vargas, sua esposa Milagro e os filhos Michel, de 14 anos, e Diana, de dez, dividem o espaço com o estudante Aron Marques, 22, e sua mãe Silvia.

Jesus contou que trabalhava em uma estatal venezuelana e atuava como advogado. Com os dois trabalhos recebia cerca de 4.500 soberanos (cada 120 soberanos equivalem a R$ 1).

“Um quilo de frango custa 1.500 soberanos e um quilo de queijo custa o mesmo preço, então com o meu salário era impossível manter a família”, contou o pai.

A esposa Milagro trabalhava em uma universidade recebendo um salário mínimo por mês, 1.800 soberanos.

Questionados sobre o porquê de deixar o país natal e vir para o Brasil, Jesus é enfático: “Vim para o Brasil para que meus filhos tenham um futuro, o que eles não teriam na Venezuela”, afirmou.

O jovem Aron Marques era missionário da igreja na Venezuela e morava com a mãe que é pensionista.

Ele contou que a cidade de Barcelona, onde moravam, enfrenta crise na saúde e no abastecimento.

O rapaz garante que não pretende voltar à Venezuela, e quer iniciar no Brasil uma nova vida. Já sua mãe, disse que vai esperar a “poeira baixar” e retornar ao país onde ficaram seus pais.

Depois de instalados e com documentos de identificação brasileiro, os refugiados querem agora trabalhar.

Sem escolher uma função específica, eles revelam que pretendem trabalhar e garantir o sustento próprio e de suas famílias. Para eles, o novo ano e a nova casa, em Piracicaba, são indícios de que, em 2019, tem início uma nova etapa sem suas vidas e que o passar do tempo tire deles o rótulo de refugiados.

“Fiquei muito feliz de chegar aqui no Brasil e receber essa solidariedade, ela é bem maior do que eu ouvia dizer, quando estava na Venezuela, estamos muitos felizes”, afirmou Jesus com um sorriso.

 

(Beto Silva)

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