Região Leste concentra maioria dos casos em Piracicaba

No mapa a região Leste, onde estão o Lar Betel e o Bem Viver, acumulam 120 casos positivos de covid-19 (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A Prefeitura de Piracicaba traçou o mapa da pandemia do novo coronavírus na cidade. De acordo com os dados divulgados ontem, a Região Leste concentra, até o momento, a maioria dos casos confirmados da doença.

Nessa região estão instalados o Lar Betel e Residencial Bem Viver, instituições de acolhimento de idosos onde foram registradas 14 mortes pela covid-19. Fazem parte da Zona Leste, os bairros Santa Rita, Pompeia, Dois Córregos, Morumbi, Vila Independência e Vila Monteiro.




Já a Zona Oeste, formada por bairros como Jupiá, Novo Horizonte, São Jorge, Jaraguá, Ondinhas e Castelinho, concentra o menor número de infectados. Segundo a prefeitura, são 19 casos.

Os dados se referem aos números divulgados no boletim de anteontem, quando 297 pessoas foram diagnosticadas com covid-19.

No comunicado de ontem, as estatísticas municipais apontam um total de 335 pessoas infectadas na cidade. Não houve registro de mortes pela doença nos últimos dois dias, em Piracicaba.

RESIDENCIAL BEM VIVER
O administrador do Residencial Bem Viver, instituição que atende idosos em Piracicaba, se suicidou ontem. De acordo com as informações do asilo, ele não teria suportado a pressão diante das mortes de residentes, que totalizam cinco.

Um funcionária da instituição informou ontem que atualmente oito idosos residem no local atualmente. Quanto ao destino da instituição, ela respondeu que o Ministério Público está acompanhando o caso.

A deputada estadual professora Bebel (PT) enviou nota de pesar pela morte do administrador. “Recebi com grande tristeza a notícia da morte, por suicídio, do senhor Edvaldo Silva, um dos diretores da Casa de Repouso Residencial Bem Viver, na qual, lamentavelmente, ocorreram mortes de idosos por covid-19”, afirmou.

“Antes de mais nada, é preciso que todos nós tenhamos a clareza e a grandeza de isentar os proprietários do residencial pelas mortes ocorridas. Como todos sabemos, estamos enfrentando em muitos municípios e em diversos estados o colapso do sistema de saúde, fruto da irresponsabilidade dos que aprovaram a Emenda Constitucional 59, que retirou bilhões de reais em verbas da saúde pública”, pontuou.

Segundo a deputada, o SUS (Sistema Único de Saúde) poderia estar mais preparado para enfrentar a pandemia e acrescentou que, ‘de fato, o sistema esteja salvando milhares de vidas em todo o país’.

“Quero, nesta oportunidade, expressar toda a minha solidariedade aos familiares e amigos do senhor. Edvaldo Silva, pelo trágico acontecimento”, acrescentou.

SP TEM 10 MIL INTERNADOS
Nesta quarta-feira o Estado de São Paulo registrou 5.363 mortes pelo novo coronavírus, sendo 216 óbitos confirmados nas últimas 24 horas.

Ontem foram totalizados 69.859 casos confirmados da covid-19, com um ou mais pessoas infectadas em 484 cidades. Foi registrada pelo menos uma vítima fatal em 223 municípios.

Há 10,8 mil pacientes internados em São Paulo, sendo 4.169 em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 6.645 em enfermarias.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento a covid-19 é de 71,7% no Estado de São Paulo e 87,9% na Grande São Paulo.  

HOMENS SÃO MAIORIA
Entre as vítimas fatais estão 3.165 homens e 2.198 mulheres.  Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 73,1% das mortes.

Observando faixas etárias subdividas a cada dez anos, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (1.299 do total), seguida por 60-69 anos (1.235) e 80-89 (1.039).

Também faleceram 347 pessoas com mais de 90 anos. Fora desse grupo de idosos, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (760 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 (389), 30 a 39 (225), 20 a 29 (45) e 10 a 19 (15), e nove com menos de dez anos.

Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (58,8% dos óbitos), diabetes mellitus (43,3%), doença neurológica (11,3%), doença renal (10,4%) e pneumopatia (9,5%).

Outros fatores identificados são imunodepressão, obesidade, asma e doenças hematológica e hepática. Esses fatores de risco foram identificados em 4.343 pessoas que faleceram por covid-19 (81%). 

USO DA CLOROQUINA
O secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou ontem que subiu para 6.142 o número de leitos de UTI exclusivos para pacientes com covid-19 no Brasil.

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, falou sobre a orientação para prescrição e uso precoce das medicações de cloroquina e hidroxicloroquina.

O Ministério da Saúde incluiu ontem a cloroquina, e seu derivado hidroxicloroquina, no protocolo de tratamento para pacientes com sintomas leves de covid-19.

De acordo com o documento divulgado pela pasta, cabe ao médico a decisão sobre prescrever ou não a substância, sendo necessária também a vontade declarada do paciente, com a assinatura do Termo de Ciência e Consentimento.

O governo alerta que, apesar de serem medicações utilizadas em diversos protocolos e de terem atividade in vitro demonstrada contra o coronavírus, ainda não há resultados de “ensaios clínicos multicêntricos, controlados, cegos e randomizados que comprovem o benefício inequívoco dessas medicações para o tratamento da covid-19”.

Beto Silva