Região Metropolitana reafirma protagonismo político e econômico de Piracicaba

São 254 de história e desenvolvimento, que fazem da Noiva da Colina a cidade mais importante da região

O ano era 1766, um ano antes da fundação do povoado. Pelo mundo, muitos acontecimentos históricos marcavam a política, a economia, a religião. No Brasil, o Carta Régia daquele ano causava intensa repercussão social, impondo a militarização da população colonial, o alistamento “sem exceção” de nobres, brancos, mestiços, pretos, ingênuos e libertos, e todos os homens válidos para o serviço militar.

No calor daqueles acontecimentos, o Capitão-General de São Paulo, D. Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, determinou a Antônio Corrêa Barbosa fundar uma povoação na foz do rio Piracicaba. O capitão, ao chegar por aqui, entendendo ser o lugar mais apropriado da região, optou pela área onde estavam os índios Paiaguás e também alguns posseiros, à margem direita do salto.

A visão já daquela época, era que a povoação seria ponto de apoio às embarcações que desciam o rio Tietê, como importante apoio abastecimento do forte de Iguatemi, que fazia fronteira com o Paraguai.

Como conta a história, o povoado de Piracicaba foi fundado um ano depois, em 1º de agosto de 1767. Em 1774 transformou-se em Freguesia, dez anos mais tarde foi transferida para a margem esquerda do rio, pelos povoadores entenderem que favorecia sua expansão. Em 24 de abril de 1856, Vila Nova da Constituição foi elevada à cidade e, 1877, por iniciativa daquele vereador que viria a ser o primeiro presidente civil do Brasil, o nome da cidade foi oficialmente mudado para Piracicaba.

A força desta história inicial marcou e se reproduziu em muitas outras ações políticas que envolveriam Piracicaba. Entre elas, a de ser porta de entrada do Mercosul, cujo monumento que registra o feito passa quase despercebido na entrada da cidade, na região do bairro Algodoal. Assim como ser marco inicial da Hidrovia Tietê Paraná, cujo projeto fixava a cidade como sede econômica e administrativa, mas que ainda hoje não conseguiu se fixar como referência neste tema.

São 254 anos de protagonismo político e econômico regionais que se consolidaram, um pouco mais, com a expectativa de que, ainda este ano, Piracicaba passe a ser a sede da Região Metropolitana de Piracicaba, que será composta pelas também pelas cidades de Águas de São Pedro, Analândia, Araras, Capivari, Charqueada, Conchal, Cordeirópolis, Corumbataí, Elias Fausto, Ipeúna, Iracemápolis, Leme, Limeira, Mombuca, Rafard, Rio Claro, Rio das Pedras, Saltinho, Santa Gertrudes, Santa Maria da Serra e São Pedro (estas que já faziam parte do Aglomerado Urbano de Piracicaba), além de Pirassununga e Santa Cruz da Conceição, que solicitaram a participação.

No dia 17 de junho, o governador João Doria assinou o projeto de lei que foi remetido à Assembleia Legislativa do estado de São Paulo. Antes, porém, a iniciativa de criação da região metropolitana foi do deputado estadual Roberto Morais (Cidadania), através de projetos de lei protocolado em 2014. No escopo da proposta, os objetivos deixaram evidentes a necessidade de um planejamento regional para o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria da qualidade de vida, através da cooperação entre diferentes níveis de governo, mediante a descentralização, articulação e integração de seus órgãos e entidades da administração direta e indireta com atuação na região, visando ao máximo aproveitamento dos recursos públicos a ela destinados.

A proposta previa ainda a utilização racional do território, dos recursos naturais e culturais e a proteção do meio ambiente, mediante o controle da implantação dos empreendimentos públicos e privados na região, assim como a integração do planejamento e da execução das funções públicas de interesse comum aos entes públicos atuantes na região, visando a redução das desigualdades regionais.

Mas o que efetivamente isso significa para a esta cidade de 410 mil habitantes, referência nacional da ciência, no setor sucroalcoernergético, na inovação e tecnologia para o agronegócio, que já recebeu nos áureos tempos das universidades essencialmente presenciais, uma média de 25 mil estudantes/ano em busca da qualidade do seu ensino superior?

Haverá geração de emprego e renda? Os recursos governamentais serão potencializados? Afinal de contas, já hoje Piracicaba é sede administrativa para atendimento como à saúde, sendo referência em hospitais de atendimento pelo Sistema Único de Saúde, assim como nos serviços de segurança pública como Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal, Secretaria da Fazenda, entre tantas outras importantes instituições que garante o exercício da cidadania dos piracicabanos de toda região.
Como efetivamente funcionará a atuação do município perante os demais municípios, como articulador da busca de soluções regionais, potencializando um crescimento sustentável não só da cidade-sede, mas principalmente dos pequenos municípios que, sem muitos investimentos, acabam por acarretar a sobrecargas nos serviços das maiores cidades?

Da fertilidade da terra que atraiu muitos fazendeiros no século XVIII e provocou uma expansão no século XIX, da cultura do café à predominância da cultura da cana-de açúcar. Da metalurgia à vocação de abrangência de nossas matrizes econômicas como o setor automobilístico e de serviços. Piracicaba demonstra que o seu forte é a diversidade e o protagonismo regional, referências e qualidades que precisam ser melhor compreendidas para que todas as possibilidades e benefícios de tornar-se sede da Região Metropolitana sejam aproveitados e revertidos à sua população.

Especial Piracicaba 254 anos

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