Diretor do Cecan observa que, pela pandemia, as pacientes têm começado o tratamento em estágios mais avançados da doença | Foto: Arquivo

De janeiro a setembro deste ano, a região de Piracicaba registrou 259 novos casos de câncer de mama, o que representa, em média, 29 diagnósticos da doença por mês, quase um por dia. Os dados são da SMS (Secretaria Municipal de Saúde), referentes a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) do DRS-10 (Departamento Regional de Saúde de Piracicaba) que foram encaminhados para tratamento nas unidades de referência da cidade, o Ceon (Centro de Oncologia) do Hospital dos Fornecedores de Cana e o Cecan (Centro do Câncer) da Santa Casa de Piracicaba.


De acordo com o diretor do Cecan, Fernando Medina, esse número é considerado regular. Porém, pela pandemia, o médico conta que, nos últimos meses, as pacientes têm chegado para fazer o tratamento em estágios mais avançados da doença.


Entre abril e maio, segundo o médico, os novos casos no Cecan caíram em 40%, mas agora o número tem se normalizado, “[mas] os pacientes têm vindo e com um diagnóstico muito ruim”, observa.

“Muitos pacientes que fizeram a biópsia da mama em dezembro, janeiro, estão vindo agora para tratamento porque as cirurgias foram suspensas e a quimioterapia e a radioterapia são tratamentos complementares à cirurgia. Hoje nós temos assistido esses pacientes mais avançados, devido ao atraso no diagnóstico e no tratamento inicial”, comenta Medina.

Além do tratamento ficar mais delicado nos estágios avançados do câncer de mama e a qualidade de vida do paciente cair, as chances de cura diminuem, segundo o médico, que enfatiza a necessidade do diagnóstico precoce.

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“A diferença entre a vida e a morte no câncer de mama é o diagnóstico precoce. Para ter uma ideia, nós temos um levantamento atual que nossos casos, nos últimos 20 anos, temos um índice de sobrevida há 5 anos de 95% dos nossos pacientes. Enquanto que no estágio 4 [da doença] a gente não tem nenhuma chance de cura”, explica o médico.

A forma mais eficaz do diagnóstico precoce é a mamografia e, devido à pandemia, a realização desse exame caiu em 70% na região. Em 2019 foram 16.019, já de janeiro a setembro deste ano, 4.764.

“Essa queda na mamografia vai refletir em diagnóstico mais tardio e, a partir desse final de ano e começo o ano que vem, nós vamos ter uma enxurrada de casos e em estágios mais avançados, em estágios 3 e 4”, avalia Medina.

Andressa Mota

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