Como todos sabemos e, também, segundo a psicóloga e terapeuta sexual Arlete Gavranic, “não existem relacionamentos totalmente estáveis, cor-de-rosa”! Reflitam sobre o que ela nos diz:

“Alguns relacionamentos têm uma convivência doentia, pois pensamentos e sentimentos – positivos e negativos – existem simultaneamente alimentando sempre um quadro de insegurança e incertezas que podem adoecer uma ou ambas as partes.

Nesse tipo de relacionamento há sempre um lado dominante e um lado dependente lidando com um jogo de pensamentos de amor e raiva, satisfação e insatisfação, prazer e desprazer. A sensação, ora de apoio ou ora de negativa do outro, gera mais insegurança e uma incerteza doentia.

O lado dominante tende a ser manipulador, ele sabe (pensa) que deveria abandonar o relacionamento, mas não deseja perder alguns ganhos que identifica nessa convivência: seja sentir-se amado ou uma vida socialmente estável. No entanto, sente (deseja) que deveria romper.

Já o dependente, ao contrário, sente vontade de fazer de tudo para segurar esse ‘amor’, mas sua razão pensa que esse não é o melhor caminho, pois percebe indiferenças e desinteresse por parte do outro, o que faz com que ele passe a ser mais submisso e, consequentemente, dependente e vulnerável frente o outro.

No dominante há desejos de viver outro amor, ou de ser livre, ou de encontrar alguém que o ‘deixe de pernas bambas’, que lhe interesse. No dependente as insatisfações vêm pelo desejo de sentir-se amado , desejado, de ter alguém que ouça suas ideias, vontades e queira viver isso junto. Ambos têm suas insatisfações. Ambos têm sentimentos agradáveis um pelo outro, mas não sabem se identificam isso como amor, e aí vivem a ambivalência. Na verdade, há uma codependência que impede muitas vezes a clareza de enxergar o que o prende a uma relação que faz mal ou cria carências e fragilidades, pois alimenta a cômoda sensação de bem-estar com alguma condição boa que seja vivida com o outro e ajuda a mascarar esse vinculo ‘de amor’ ou a adiar a resolução do conflito.

Observa-se em muitos dominantes o desejo de viver ou reviver sentimentos de paixão e conquista, e essa adrenalina não se faz presente em tanta intensidade nas relações longas. O dominante se esforça para ver o lado positivo da parceria, mas muitas vezes o ‘contrato’ e a rotina da vida geram desencantos. Mas pensar na atitude de romper gera medo (vou perder alguém que gosta de mim), sentimentalismos, culpa e de novo a indecisão.

Terapeuticamente podemos observar casais que nesse momento se aproximam, revivem um apaixonamento e o dominante desiste ou nem entende o porquê pensaria em romper esse relacionamento. Mas, sabemos que na verdade esse recomeçar dependerá de muito amadurecimento do casal, e também muito da estabilidade emocional do dominante, seja ele uma mulher ou um homem.

A vaidade (do dominante) de conquistar, de sentir-se querido(a) desejado(a), de viver a aventura, e sentir a adrenalina que o faz sentir vivo faz com que este fique vulnerável a outras paqueras, oportunidades ou possibilidades que apareçam, dificultando o amadurecimento necessário para superar esse padrão do relacionamento ambivalente. O dependente pode se tornar uma eterna vítima à espera de amor e, inseguro, tende a desenvolver quadros de depressão e ansiedade.

É preciso amadurecer e refletir: não há paixões que durem para sempre no ímpeto da adrenalina, mas podem amadurecer e virar amor, consistente e duradouro”.

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