Renovação da Esperança

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Foto: Freepik

Quando menino, os cartões de natal chegavam à minha casa para festejar meus pais, estampando paisagens com ruas vazias, casas elegantes, árvores, neve. Pequeno, desentendia. Não me lembro de ter perguntado o porquê disso.
Por estes tempos, nem todos armavam suas árvores de natal. O presépio, a representação franciscana do nascimento, dominava a sala. O de minha casa ilustrava à perfeição as histórias contadas sobre o nascimento do Menino.

Demorei a entender o que envolvia este personagem capaz de dar novo contorno à história da humanidade e frequentar nossa vida como o ser mais influente da História.

Em casa, ajeitávamos o presépio com certa reverência. Tínhamos, ainda pequenos, consciência do que representava, devotando enorme respeito à Maria, a Mãe do Menino, jovem, muito jovem ao seu nascimento, envolta em graça e luz. Com ela, no cenário do nascimento, a manjedoura, os animais que se acercaram movidos pela estrela, a gente simples do lugar, José e os Reis Magos.

Era bonito ver como se construía o instante da Luz naqueles personagens ajeitados no espaço que lhes cabia no cenário. Quanto acreditávamos em tudo aquilo e nos encantávamos! O Menino renascia a cada ano, renovando esperanças.

Havia certo ritual na arrumação. As personagens organizadas em torno do Menino celebravam, conosco, sua chegada, e nutríamos admiração por terem tido esta sorte bendita.

Passados anos de celebração, marcados, em determinado momento pela ausência sentida de minha mãe, primeiro, depois de meu pai, é igual o respeito e o sentimento de esperança renovado neste período de advento que antecede o Natal. O entendimento é outro, outro o conhecimento a respeito da data e dos costumes da época quando chegou o Deus-Menino que determinou, na História, o início de uma nova era.

A natureza obediente às estações, faz com que os hemisférios se apresentem de forma distinta. Aqui, calor e sol abrasador. Acima do Equador, frio, neve. Lá e aqui, luzes, barulho, festa em nome do natal, não do Menino.

Muitos ainda se horrorizam com a maldade de Herodes. Hoje, no entanto, o poder tem comportamento pior. Há desterro, injustiça, perseguição, mentira. Há flagelo, há miséria, há fome e dor. E festa, muita festa.

Quem sabe do Menino? Quem pensa nele? Quem sabe a quem devota seu olhar angustiado e triste? Quem fala dele? Amá-lo! Quem há de? Quantos podem sentir, ao assistir o mundo, o descompassado pulsar de Seu coração ferido?

Perdoa-me se tiro, do seu Natal, o brilho. Só queria lembrar que a noite e o dia com estrelas e luz, com flores, alegria, devem ser do Menino. Do que veio para livrar do mundo, o mal, a violência, a destruição, o medo, a injustiça, a dor, todo e tanto desatino.

Enquanto esteve, trinta e três anos, ensinou a conviver com alegria, de modo fraterno e em paz. Semeou esperança. Deve ter sido este o motivo de terem consagrado, no século IV, 25 de dezembro, para celebrar seu nascimento. Antes dele, nesta data, os romanos comemoravam o dia do Sol invencível. Desde então, passou a ser sua a data, a que permite saber da sua Luz, Ele o Sol invencível, o caminho, a verdade, a vida.

Jesus de Nazaré, o Menino, o Homem, o Salvador que desejava tão somente melhorar o mundo, purificar a humanidade. Hoje, especialmente neste ano, o que se espera dele, por Ele e com Ele, é renovar a esperança. Ou não foi para isso que nasceu, sofreu e ressurgiu o seu, o meu, o nosso Deus-Menino?

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