Ação vai permitir que toneladas de lodo de esgoto e podas de árvore não vão para o aterro sanitário. / Amanda Vieira/JP

Cerca de 1200 toneladas de lodo de esgoto, 180 toneladas de poda de árvores e 500 toneladas de grama cortada por mês que seriam descartados em aterro sanitário poderão agora se transformar em composto orgânico para a agricultura em Piracicaba. O uso sustentável do resíduo do tratamento de esgoto e dos trabalhos de limpeza do município vai ser possível devido à uma parceria entre a Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e a concessionária Mirante – responsável pelo tratamento de esgoto na cidade.

A assinatura do acordo foi realizada anteontem e o projeto tem vigência até julho de 2021. A estratégia dos especialistas é utilizar a técnica de compostagem para viabilizar o uso desses resíduos na produção agrícola.

“A compostagem é o processo mais adaptado para tratar resíduos orgânicos. Com ela, é possível estimular a decomposição de materiais orgânicos e a redução de contaminantes como patógenos e metais pesados para se obter um material estável, rico em matéria orgânica humificada e nutrientes minerais”, explicou a pesquisadora da Apta, Edna Ivani Bertoncini.

A pesquisadora explicou que a Apta realizará a montagem das pilhas de compostagem com diferentes cenários de composição dos resíduos e formas de revolvimento e irrigação das pilhas. O processo será monitorado diariamente e haverá coletas constantes dos materiais e sua análise laboratorial para verificar se o composto está adequado para ser usado nas plantações. Ao final do processo, o fertilizante deve ser aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O professor da Esalq, Paulo Pavinato, disse que o projeto em implementação em Piracicaba faz parte de um plano maior enviado para aprovação da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que busca dar um destino sustentável para todo o resíduo do tratamento de esgoto das cidades do Estado de São Paulo.

De acordo com Andrey de Souza, supervisor de operações da concessionária Mirante, com o projeto espera- -se que 100% do lodo oriundo do processo de tratamento de esgoto do município não precise ser descartado em aterros sanitários.

“Hoje, já desenvolvemos processo de secagem do lodo, o que reduz muito nosso volume de resíduo. Por mês, o município gera 1200 toneladas de lodo. Com a secagem, esse volume cai para 320 toneladas. Queremos agora, eliminar todo esse resíduo de forma completamente sustentável”, diz Souza.

Beto Silva
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