Respeito mútuo entre sindicatos marca os 30 anos do Simespi

Foto: Arquivo/SIMESPI

“Faz 30 anos que não há uma greve de trabalhadores metalúrgicos por aqui”, lembram os sindicalistas

As negociações salariais e de benefícios aos trabalhadores nunca mais foram as mesmas, em Piracicaba, desde a criação do Simespi. Quem afirma são os diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região, Wagner da Silveira (o Juca), atual presidente da entidade, e José Luiz Ribeiro, vice-presidente. “Faz 30 anos que não há uma greve de trabalhadores metalúrgicos por aqui”, lembram os sindicalistas.

Ribeiro, mais especificamente, acompanhou a fundação do Simespi e seus primeiros movimentos. “Em 1993, houve um ‘racha’ no nosso sindicato e, acabei comandando as negociações”, recorda o sindicalista, lembrando que o acordo firmado havia sido mais favorável aos trabalhadores daqui do que aquele negociado com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “Foi então que eu vi que era muito melhor que as negociações fossem feitas aqui”, comenta.

Em 1994, Ribeiro foi eleito presidente do Sindcato dos Metalúrgicos e, no ano seguinte, assinou com o Simespi a primeira convenção. “Nesses 30 anos, percebi que todos nós – trabalhadores, empresários e a cidade – ganhamos com as negociações feitas em âmbito local”, afirma o atual vice-presidente do sindicato. “Nossa convenção, além de ser econômica, é social. Ela protege desde a gestação até o funeral do trabalhador”, explica Ribeiro, que também já foi secretário estadual do Trabalho no governo Geraldo Alckmin.

Ribeiro tem na memória várias conquistas obtidas na mesa de negociação. “A primeira PLR (Participação nos Lucros e Resultados) do Brasil foi negociada por nós e beneficiou os trabalhadores da Caterpillar. Logo em seguida o Simespi aderiu à ideia”, recorda. Ele atribui à relação harmoniosa entre os dois sindicatos os avanços que o setor industrial obteve nos últimos 30 anos. “Tivem0os a concretização do Distrito Industrial Uninorte, mais investimento em qualificação profissional e novas escolas técnicas como a Etec, duplicação de rodovias, implantação do parque automotivo, tudo isso graças ao diálogo e ao respeito que existe entre o Simespi e os trabalhadores metalúrgicos”, afirma.

Na avaliação de Ribeiro, esse modelo sindical foi um dos grandes responsáveis por atrair indústrias para Piracicaba. “Pensando em multinacionais, atualmente temos mais de 20 países dentro da cidade”, enfatiza. O sindicalista destaca a harmonização entre capital e trabalho conquistada e afirma: “Construímos, nós e o Simespi, a nossa própria história”.

O atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região, Wagner da Silveira, o Juca, assumiu o comando da entidade em 2018, num momento delicado logo após as reformas trabalhista e previdenciária aprovadas no ano anterior. “Além de tudo, enfrentamos também o fim da Contribuição Sindical. Foi um grande desafio”, lembra. O líder sindical destaca o respeito mútuo construído com o Simespi ao longo desses 30 anos. “A possibilidade de negociar a convenção localmente só trouxe ganho para todos nós. Aqui nós nos adequamos à nossa realidade e chegamos sempre a um acordo que beneficie a todas as partes”, completa.

Especial Simespi 30 anos

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