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Nunes critica lei eleitoral e falta do debate de ideias. (Foto: Claudinho Coradini / JP)

“Nós vivemos num caos político deliberado e é assim que os políticos querem”. Essa foi a afirmação do jornalista Augusto Nunes ontem durante palestra de abertura do 12º Congresso Empresarial da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), cujo tema foi “Bastidores da mais importante e mais curta campanha presidencial”. O encontro aconteceu no teatro da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e reuniu mais de 300 pessoas.

Em um bate-papo com a imprensa local, antes da palestra, Nunes que já passou por veículos de imprensa como Veja, Jornal do Brasil, Estadão, Zero Hora, Época e Forbes destacou que nunca fez palestras no formato acadêmico, pois não gosta de “chegar e baixar um monte de verdades”. “Muito pelo contrário, fui sempre um homem cheio de dúvidas e acho que todo jornalista deveria ser assim. Não existe jornalista cheio de certezas, mas sim jornalista que faz muita pergunta e questiona as situações. Sou alguém que procura entender o que está acontecendo para poder emitir minha opinião. Num país feito o Brasil, que é tão confuso, cheio de singularidades como diz Tom Jobim ‘O Brasil não é para amadores’, a gente tem que conversar muito para tentar entender o que está acontecendo e o que vem por aí”, disse.

Sobre a política atual, Nunes fez questão de dar um exemplo recente de que não se pode desvendar o resultado final de uma eleição ou afirmar que “tal” candidato está na frente nas intenções de voto e que “ele será eleito”. “Um exemplo recente vem de São Paulo. Até setembro de 2016 o João Doria não tinha chance de ser prefeito porque tinha 8% das intenções de voto e em outubro, na eleição, ele teve mais de 50% dos votos e se elegeu no primeiro turno. Aí vimos que os institutos de pesquisa erraram feio, porém eles nunca se desculpam ou explicam o porque erraram”.
O jornalista também fez questão de criticar a lei eleitoral vigente no país. “Ela é imbecil e os candidatos aceitam alegremente essas normas. Num debate de TV nos formatos como os atuais, não dá pra se falar de ideias e propostas. Tanto isso é fato que uma discussão entre a Marina Silva e Bolsonaro virou manchete. Temos que trocar ideias para tentar deixar o Brasil menos confuso”, ponderou Nunes.

INTERNET – Augusto Nunes lembrou que a propaganda da TV não deverá influenciar muito nestas eleições já que a internet chega com novas ferramentas como as redes sociais. “Se elas vão interferir pesadamente na decisão do eleitor não se sabe. O alcance dessas redes é indiscutível e institutos já afirmam que este ano a eleição será do Whatsapp porque o aplicativo alcança 75% do eleitorado. Por meio destas ferramentas os candidatos têm mais chances para mostrar suas ideias”, afirmou.

(Felipe Poleti)

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