Retorno às escolas é incerto e vai depender de orientação científica

Não há previsão das aulas voltarem a ser presenciais. (Foto; Amanda Vieira/JP)

Suspensas desde meados de março em São Paulo, quando o Governo Estadual decretou a Lei de Calamidade Pública devido à pandemia da covid-19, as aulas presenciais na rede pública (estadual e municipal) e privada ainda não têm data marcada para serem retomadas e, como informou a Secretaria Estadual da Educação ao Jornal de Piracicaba por nota envida pela assessoria de imprensa, será um processo “gradual e regionalizado”, que dependerá e orientação científica da saúde.


Ontem, o secretário-executivo da pasta, Haroldo Rocha, disse a volta será em fases. “A ideia é que a gente volte com 20% [de presença] dos alunos no primeiro momento; no segundo momento, com 50% dos alunos; e, na fase final, com 100% dos alunos. Isso já é uma decisão. Depende da evolução da pandemia e da orientação científica”, detalhou.

Em resposta aos questionados do JP, a Secretaria Estadual de Educação disse que “dentro do Plano São Paulo, vem realizando reuniões com instituições públicas e privadas para organizar a retomada planejada das aulas presenciais”. Ainda segundo a secretaria, as diretrizes sobre a retomada presencial das aulas devem ser apresentadas à sociedade nas próximas semanas.

O secretário disse que ainda está sendo discutido que faixa etária prioridade na retomada das aulas, se as crianças mais novas outas crianças mais velhas. Outra questão em análise, ressalta a pasta, diz respeito aos professores que estão na faixa de risco para o coronavírus, seja por idade acima de 60 anos, seja por problemas anteriores de saúde.

A Secretaria Municipal de Educação também foi questionada sobre um eventual retorno das aulas presenciais nos próximos meses, e de que forma a pasta avalia que seria viável e seguro, no entanto, por meio da assessoria de imprensa, simplesmente respondeu que não se manifestará antes de uma definição por parte do Estado.

Já Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo) garante que já possui inclusive um protocolo técnico que baliza está volta às aulas. “Com o retorno de outras atividades, as famílias precisam da escola, pois não tem onde deixar os filhos para trabalhar”, disse o presidente da entidade, Benjamin Silva.

Para ele, o retorno das aulas presenciais deveria acontecer já no próximo mês de julho. “Pois até antecipamos a férias para abril. Se não ocorrer um retorno logo, muitas Escolas Particulares vão fechar, já tem esse movimentos de alunos da Educação Infantil saindo para a Escola Pública”. Silva explica que o retorno da rede privada está atrelada ao plano a ser oferecido pelo Estado porque estão sob a Lei de Calamidade Pública.

Pais com filhos em creches e escolas de educação infantil, tanto da rede pública ou privada, também sofrem o drama do retorno às aulas, já que muitos precisam deixar os filhos sob cuidados de professores para poderem voltar ao trabalho presencial.

Para o pedagogo Sílvio Murani, o município, estado ou mesmo o país tem ambiente para um retorno a curto ou médio prazo. “Entendo que a volta às aulas deve levar em consideração a preservação das vidas, ou seja, a reabertura das escolas precisa estar em consonância com as análises e recomendações dos cientistas que estão monitorando a pandemia no Brasil e no mundo”.

Professor de filosofia e ciências sociais da rede estadual de Piracicaba, Fabrício Oliveira aponta que o principal empecilho neste momento das aulas presenciais é a questão de aglomerações. “São as salas superlotadas. Uma garantia para um retorno seguro seria um ‘rodízio’ na presença dos alunos, para que seja possível respeitar o distanciamento, porém confesso que não consigo visualizar um ambiente realmente seguro, pois temos escolas com salas de aula bem abafadas e com péssima circulação de ar”.

Erick Tedesco

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