Retorno das aulas na pré-escola deve ter envolvimento dos pais

Foto do educador Paulo Emerique em matéria sobre retorno às aulas
Isolamento prejudicou o desenvolvimento infantil, diz Emerique | Foto: Amanda Vieira/JP

Crianças não fazem parte do grupo de risco da covid-19, mas tampouco são imunes ao vírus. Muitas são assintomáticas, outras apresentam sintomas leves, enquanto algumas podem, sim, apresentar quadro mais grave. Ou seja, as crianças podem ser menos suscetíveis que os adultos a contrair a doença do novo coronavírus, mas nas escolas estão mais expostas.


Diante da incerteza do início da vacinação no país e num cenário ainda alarmante da circulação do vírus, a quase a um ano de pandemia, o retorno às aulas presenciais na pré-escola exige atenção e, como aponta Paulo Sérgio Emerique, educador, doutor em Psicologia, diretor há 46 da Bem-Te-Vi berçário e educação infantil, integração com os pais.


“Adultos também precisam de colo! Assim, as escolas devem dar espaço para o diálogo e acolher as dúvidas e ansiedades dos pais, pois minimizar suas ansiedades será fundamental também para a readaptação das crianças, que agora podem retomar a construção de seus vínculos para além de família, com a qual ficaram recolhidos durante tanto tempo, o que, sabemos, também levou a frustrações, conflitos e queda de sua qualidade”, comenta Emerique.


A Bem-Te-Vi retornou em outubro do ano passado, como lembra o diretor, atendendo a todos os protocolos da Secretaria da Educação. A escola logo enviou o plano solicitado e detalhado para esse retorno, “bem como tivemos a visita dos técnicos da Vigilância Sanitária que comprovaram a utilização dos equipamentos de segurança (tapetes higienizantes, máscaras, álcool gel, desinfecções, etc.) e a qualidade do ambiente para a retomada das atividades objetivando o cuidar e estimular o desenvolvimento das crianças”, ele complementa.


A fala de uma menina sobre a pandemia ainda permeia a mente de Emerique, que elucida uma certa fragilidade da criança ante a confusa realidade. No primeiro dia do retorno à Bem-Te-Vi, uma menina disse: ‘o fim do mundo acabou’! Fiquei imaginando que ela possa ter ouvido, durante a pandemia, algo como: ‘esse coronavirus é o fim do mundo’.


O educador é cirúrgico, afirma que a pandemia trouxe para o mundo todo o impacto do novo e do inesperado, o que gerou emoções que ficaram descontroladas, em especial o medo.


“No caso das crianças, a dificuldade para lidar com esta crise que parece não ter fim certamente foi ainda maior, pois os adultos contam com a possibilidade maior de informação, mas para elas esse fantasma ficou assustando-as por meses, aliado ao isolamento social e ao desconhecimento para encarar a realidade”, ele ressalta.


Ele também aponta que considera impossível zerar os riscos, e o que se pretende é minimizá-los, e que as pré-escolas têm, sim, condições para esse atendimento saudável. “As crianças estarão mais seguras que em muitas outras situações”, destaca.


Mas também faz um pedido. “Para que isto aconteça e para que possamos um dia ver essa crise como um passado do qual não teremos saudades, resta torcer para que os adultos acreditem mais no que dizem os cientistas, vacinem-se, usem suas máscaras, higienizem suas mãos, mantenham o distanciamento social, demonstrando maior responsabilidade e amor consigo mesmo e com seu próximo, enfim, que criem juízo”.

Erick Tedesco

Leia mais

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

um × 1 =