Revolução Constitucionalista é tema de exposição virtual

Acervo pode ser visitado pela internet (Foto: Divulgação)

O tradicional ato na praça José Bonifácio que rememora a participação de Piracicaba na Revolução Constitucionalista de 1932, celebrado em 9 de Julho, está suspenso em 2020 devido à covid-19. A Prefeitura optou por não fazer um evento alusivo à data por causa da pandemia. Diferente dos anos passados, tampouco será feriado na cidade – o governo de São Paulo o transferiu para 25 de maio, na tentativa de ampliar o isolamento social. A relação do momento histórico com a cidade, no entanto, será lembrada em forma de exposição virtual, realizada pela Câmara de Vereadores de Piracicaba.

Até 30 de julho, parte do acervo do Legislativo sobre os 88 anos da Revolução Constitucionalista pode ser visitado em www.exposicaorevolucao1932.myportfolio.com. Como revela Bruno Didoné de Oliveira, diretor do Departamento de Documentação e Transparência da Câmara de Vereadores de Piracicaba, todo o material exposto é fruto de doação do Joaquim Moreno, além de material que a Câmara produziu no passado para homenagear os combatentes.

A exposição virtual é de fácil navegação, como testou o Jornal de Piracicaba. Na página inicial, existem caixas com uma foto alusiva a um determinado assunto, ilustrado com um clique a uma galeria de fotos e mais uma breve explicação sobre a relação de tais objetos com a Revolução Constitucionalista.

Entre os itens estão a Medalha M.M.D.C., concedida a Moreno em 1963, além de objetos utilizados pelo combatente, como cantil, gorro, marmiteira e prato em metal, camisa e calça do uniforme, capacete em ferro e bolsas em tecido e couro.

História
A história conta que, da Estação da Paulista rumo ao Vale do Paraíba, piracicabanos voluntários aceitaram o chamado às armas em julho de 1932 para defender a Constituinte paulista e a honra de São Paulo, iniciado no dia 9 daquele mês. Eles se juntaram a tantos outros civis e também a militares de outras cidades do estado diante de tropas de todo o Brasil, sob ordens do Governo Provisório de Getúlio Vargas, que havia destituído todas as câmaras de vereadores do país. A frente paulista sucumbiu após quase três meses.


Mas pesquisadores contemporâneos preenchem a lacuna dos infortúnios. Para o historiador Rafael Finnoti, o romantismo paulista mascara os reais resultados da revolução. “A historiografia de um determinado local sempre vai valorizar o que mais convém”.

Já o historiador Antônio Fermozelli acredita no contraponto para justificar a exaltação da glória de São Paulo enquanto motriz do levante. “Acredito que para justificar as ações, os ganhos são os que recebem destaque e ficam guardados na história”.

Quanto à necessidade da luta armada, Fermozelli destaca as linhas de pensamento bem definidas, tanto de Getúlio Vargas, como do governo paulista, em relação a um projeto nacional. “Precisou intervir militarmente, por meio de um golpe, para controlar esses poderes e centralizar a política brasileira. Os paulistas também tinham essa consciência, por isso defenderam seus interesses políticos e econômicos”.

Já a análise de Finotti aponta para uma visão de Brasil mais ampla por parte de Vargas e que colaborou com o avanço do País na década de 1930, até então muito atrasado, principalmente no setor industrial, em comparação aos EUA e os mais desenvolvidos países europeus.

Erick Tedesco