Roedores e lagomorfos: dentuços, brincalhões e carinhosos

Veterinária Nathália Trevelin Sant'anna dá dicas para quem quer ter um coelho | Foto: Divulgação Veterinária Nathália Trevelin Sant’anna dá dicas para quem quer ter um coelho | Foto: Divulgação

Os pequenos roedores, como camundongos, hamsters e esquilos-da-mogólia, ou o mais conhecido dos lagomorfos, o coelho, também são animaizinhos que podem ser tratados como pets. Assim como um cão ou gato, necessitam de cuidados especiais, atenção do tutor e certos mimos, tudo para oferecer um convívio em harmonia no lar.

O ambiente para a criação de roedores e coelhos, explica a médica veterinária Nathália Trevelin Sant’Anna especializada no atendimento exclusivo de animais silvestres, exóticos e pets não convencionais, requer tanto um espaço confortável para que ele se exercite, ande, como um local que possa identificar como sua “casa”.

“Os pequenos roedores como camundongos, hamsters e esquilos-da-mogólia, podem ser mantidos em gaiolas de tamanhos variados, com tubos para que os animais brinquem, casinha/toca para que possam dormir ou aninharem-se ou até mesmo sentirem-se seguros e escondidos, bebedouro vertical e comedouros. Já os roedores de porte médio como porquinhos-da-índia e chinchilas podem ser criados em gaiolas maiores, para chichilas gaiolas verticais e altas são mais recomendadas”, afirma Nathália.

Porém, dois pets aqui citados necessitam de um espaço maior. Os porquinhos-da-índia podem ser criados em gaiolas maiores, no entanto, o ideal, sugere a veterinária, é um espaço aberto, com um cercadinho. Já os coelhos, ela destaca, podem ser alojados tanto em coelheiras como em cercados. “Porém, é importante que o animal fique confortável. Quanto mais espaço melhor para o seu animal, assim, seu pet poderá se exercitar, o que diminui problemas como estresse e obesidade”.
Mas afinal, coelho e lebres são roedores? A resposta é não e Nathália explica: “A denominação correta é lagomorfos. A maior diferença está na dentição! Os lagomorfos possuem dois pares de incisivos superiores, os famosos ‘dentes de coelho’, e um par de incisivos inferiores, totalizando seis dentes incisivos, enquanto os roedores possuem apenas quatro incisivos”.

Além do local adequado para tratar o pet com amor e respeito, roedores e lagomorfos também demandam cuidado com uma alimentação balanceada e nutritiva. “Cuidados com a saúde do seu bichinho e promover o bem-estar são itens importantes que devem constar na lista de cuidado para a criação de um roedor e de um coelho”, aponta a veterinária.

Principalmente porque parte dos problemas de saúde dos coelhos, dos porquinhos da índia e das chinchilas está relacionada com a alimentação, ela avisa. “Uma vez que, além de nutrir, o alimento também auxilia no desgaste dos dentes, que crescem continuamente evitando problemas odontológicos”.

Outro cuidado importante enfatizado por Nathália é com acidentes domésticos – são animais delicados, mas muito inteligentes, que vão querer “investigar cada cantinho”, e podem se machucar com facilidade. É comum atendermos roedores e coelhinhos que ficaram presos em alguma mobília da casa (atrás de móveis, atrás de portas); ou que levaram choque elétrico ao roer algum fio (eles amam roer cabos de celulares), ou, ainda, que caem de sofás e camas. Então é preciso ficar atento quando esses animais ficam soltos pela casa, sempre digo deixar soltos sempre com supervisão!”
Quanto à convivência com outros animais, Nathália lembra que roedores e coelhos são presas na natureza, o que, geralmente, torna complicado o dia a dia com cães e gatos, por exemplo. “Pode ser muitas vezes bastante estressante e até mesmo perigoso. Por isso, o bichinho tende a ficar arisco e estressado na presença desses pets, o que, por sua vez, prejudica a saúde desses pequeninos. Porém, existem casos em que eles se tornam grandes amigos de gatos ou cachorros, mas eles são exceção, não a regra”.

Para quem deseja ter um destes animaizinhos como pets, é preciso ficar atento a algumas dicas. Twister, Mecol, ou Ratazana Doméstica (Rattus norvegicus), explica Nathália, tornou-se mais dócil e adaptado ao convívio com humanos, extremamente dóceis e inteligentes. “Aprende truques e adora ficar no colo e ser acariciado”, ela conta. O Esquilo-da-mongólia é outro roedor sociável, com muita energia e disposição para brincar com seus tutores. Já os porquinhos-da-índia são bons companheiros para crianças, assim como os coelhos. “Costumam fascinar as crianças, além de serem extremamente fofos. São amigáveis, dóceis e na maioria das vezes tranquilos”.

Erick Tedesco ([email protected])