Romper o silêncio: vítimas de violência doméstica têm denunciado mais

Lucineide Maciel é comandante da Guarda Civil. (Crédito: Amanda Vieira/JP)

Celebrar o Dia Internacional da Mulher é lembrar da história de luta por direitos e contra a violência. Em Piracicaba, só nos dois primeiros meses do ano, a Patrulha Maria da Penha já registrou 95 denúncias de violência contra a mulher. Comparado ao ano passado, é um aumento de 38%, que no mesmo período registrou 69 ocorrências.


Atendidos pela GC (Guarda Civil) de Piracicaba, os índices de denúncias recebidos pela Patrulha Maria da Penha, mecanismo de proteção da mulher contra a violência doméstica, vem aumentando desde 2017, quando foi criada. Para a comandante da GC, Lucineide Maciel, esse aumento significa que as mulheres têm reconhecido seus direitos e tomado coragem de denunciar o agressor. Em 2019, a Patrulha atendeu 570 denúncias, 63% maior que em 2018, ano que teve 361 ocorrências.

Lucineide Maciel é comandante da Guarda Civil. (Crédito: Amanda Vieira/JP)


“A gente vê esse aumento das denúncias, o que a gente entende? Que as mulheres estão se conscientizando mais dos seus direitos e elas estão denunciando realmente a agressão que elas já vinham sofrendo há anos. Infelizmente, esses fatos ocorrem dentro dos lares, essa violência é um caso triste, mas a mulher está se conscientizando que ela está naquele relacionamento abusivo e está denunciando”, observa Lucineide.


Quanto às medidas protetivas, quando é determinado pelo juiz que o agressor não pode ter contato com a vítima – inclusive por meio das redes sociais, o número também tem crescido. Em 2019, a Patrulha atendeu 527 medidas, número 46% maior que no ano anterior, que registrou 361 medidas judiciais. “Não é a violência que está surgindo agora, [mas] está sendo notificado agora. Agora que a mulher está se fortalecendo”, completa Lucineide.


A comandante explica que entre os fatores que fazem com que a mulher se conscientize que precisa denunciar está a divulgação de que a violência doméstica é um crime. “Esse entendimento evita que a mulher também se sinta julgada depois pela sociedade, então ela sabe que ela é a vítima, ela não deu causa para aquela situação”, enfatiza.


Para denunciar a violência doméstica, qualquer cidadão pode acionar a Patrulha Maria da Pena pelo número 153, ativo 24 horas. Além deste canal, os cidadãos podem ainda procurar pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), na rua Alferes José Caetano, 1.018 no centro, e discar 180 para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. No município, ainda tem o Cram (Centro de Referência de Atendimento à Mulher), no qual a mulher pode receber assistência social, psicológica e jurídica. “São muitas nuances que envolvem a violência doméstica”, reflete Lucineide.


A denúncia, como afirma a comandante, é importante para que o caso de violência doméstica não progrida para o feminicídio, homicídio de mulheres pela questão de serem mulheres. “Quando a mulher sofre o feminicídio, ele já vem seguido, antes, de vários tipos de violência: verbal, física, agressões cada vez mais fortes, até chegar no último ato. Então dá sinais antes de uma possibilidade do feminicídio, por isso a mulher tem que denunciar e também solicitar a medida protetiva, para que a gente possa fazer essa prevenção”, enfatiza Lucineide.


A Patrulha Maria da Penha de Piracicaba acompanha hoje 1.258 mulheres com medidas protetivas. “Estatísticas comprovam que as mulheres que têm medidas protetivas é 0,1% vítimas de feminicídio. Então a medida protetiva é importante para prevenir o feminicídio”, destaca a comandante.

Andressa Mota

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