Salão do Humor recebe críticas de militância

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Foto: Reprodução

Vereador repudiou teor da exposição, que faz sátiras ao presidente Bolsonaro

A 48ª Exposição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba recebeu críticas do vereador Fabrício Polezi (Patriota) em um vídeo publicado na rede social do parlamentar na última quarta-feira (6). Na publicação, Polezi repudia as produções artísticas que trabalham aspectos do governo federal, principalmente na figura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e afirma que tomará medidas para que a “militância” nas obras “não fique sem punição”. As exposições do Salão de Humor contam com obras que permitem reflexões sobre temas como política, pandemia e tecnologia.

O vereador afirma que a edição foi usada por “lacradores para militância esquerdista”, com uso de dinheiro público. O Salão de Humor recebe patrocínio cultural da Unimed, do Instituto Arcor Brasil, da Câmara Municipal de Piracicaba, da agência de marketing digital Neurônio Adicional e da Associação dos Amigos do Salão Internacional de Humor de Piracicaba e é realizado pela Prefeitura de Piracicaba por meio da Semac (Secretaria de Ação Cultural).

Algumas das obras em exposição criticam posicionamentos, ações e eventos ocorridos durante o governo do presidente Bolsonaro, como uma ilustração que coloca a figura do presidente ao lado de uma contagem alusiva aos falecimentos causados pela Covid-19. Diante destas produções, o vereador diz que o Salão é um “Salão de lacração” e defende: “isso só foi premiado porque quem julgou é tão lacrador quanto quem fez o desenho”. As obras que compõem a mostra principal foram analisadas pelos júris de seleção e premiação, formados por profissionais da área do humor e artes gráficas.

A 48ª edição, neste ano, entregou o Grande Prêmio Zélio de Ouro para o cartunista turco Oguz Gurel, que também conquistou o Prêmio Cartum, com a obra Ovelha Negra. A charge vencedora foi para o brasileiro Dinho Lascoski, que retratou o presidente Jair Bolsonaro em momento de discurso. O melhor da caricatura foi para Claudia Kfouri, que homenageou o cantor Belchior e traduziu a força da arte e a consciência de liberdade.

Para o Jornal de Piracicaba, o vereador relatou: “Eu não vi retratarem nessas ‘artes’ a roubalheira, a corrupção e a imoralidade que o outro lado causou em nosso país e no mundo até hoje, nem críticas ao STF por exemplo. Espero que, no mínimo, os responsáveis por essas barbaridades tenham algum tipo de punição e vou trabalhar duro para que esse tipo de coisa não receba mais nenhum centavo de dinheiro público”.

Polezi contou que recebeu reclamações em seu gabinete sobre ataques ao presidente “não só com alusões desonestas como também algumas possuindo caráter criminoso”.

De acordo com a constituição federal, é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença, ou seja, a liberdade de expressão possibilita a manifestação de opinião e ideias por meio da arte sem interferência ou retaliação do governo.

SALÃO DE HUMOR – O Salão Internacional de Humor de Piracicaba teve sua primeira edição em 1974, durante a ditadura militar, e era formado por um grupo de artistas, jornalistas e intelectuais piracicabanos. Com quase 50 anos, o Salão é consolidado no universo das artes gráficas e é considerado como um espaço de reflexão, discussão e inovação sobre a arte e o humor. O Salão contribui para a referência de Piracicaba como “Capital Mundial” do humor gráfico e tem o objetivo de revelar novos talentos e valorizar autores e obras históricas.

A equipe de reportagem do Jornal de Piracicaba tentou contato com o júri do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, por meio dos organizadores do evento, mas não conseguiu resposta sobre como a seleção das obras é realizada. A redação insistiu várias vezes na posição da Semac e da diretoria do Salão de Humor de Piracicaba mas não teve retorno até o fechamento da edição.

Letícia Santin
[email protected]

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1 COMMENT

  1. Parece notícia do sensacionalista, mas não é… Político se preocupar em censurar peças humorísticas é sinal de uma pobreza intelectual sem tamanho.

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