Equipamento serve de interface entre o paciente e o ventilador mecânico
Equipamento serve de interface entre o paciente e o ventilador mecânico (Foto: Divulgação)

Em meio a uma pandemia, surgiu um equipamento que tem sido grande auxiliar na recuperação de pacientes internados com sintomas graves da covid-19. Assemelhando-se a um capacete, a Bric (Bolha de Respiração Individual Controlada) é feita de material impermeável e transparente, com conexões respiratórias e serve de interface entre o paciente e o ventilador mecânico. A Santa Casa de Piracicaba inova mais uma vez, e implanta no hospital este dispositivo, como uma possibilidade de se evitar a intubação e diminuir o risco de outras complicações inerentes a ela, contribuindo para a redução do tempo de internação.

De acordo com a coordenadora do departamento de fisioterapia da Santa Casa de Piracicaba, Maura Simões, cerca de 10 a 15% de pacientes com covid-19 vão necessitar de internação nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) devido ao quadro de insuficiência respiratória aguda, muitos deles devendo ser intubados para um suporte ventilatório adequado.

O uso desse tipo de interface melhora a oxigenação e diminui o esforço do paciente, que segundo Maura, uma vez que o mesmo se encaixe em algumas indicações específicas, pode se beneficiar com esse tipo de terapia de ventilação não invasiva, ou seja, respirar com a ajuda do ventilador mecânico, mas sem a necessidade de ser intubado.

O dispositivo, como informa Maura, já bastante utilizado em outros países, oferece vantagens frente a outras interfaces, como as máscaras faciais, por exemplo, e que foram levadas em consideração para a sua aquisição.

“Uma delas é o maior conforto propiciado ao paciente, que pode interagir melhor com o ambiente ao redor e manter a alimentação durante o seu uso, além de não causar áreas de pressão no rosto, podendo ser utilizado por mais tempo, assim como oferecer maior segurança aos profissionais da saúde, uma vez que esta interface, por permitir total vedação, evita a produção de aerossóis e consequente contaminação do ambiente”, salienta a fisioterapeuta.

O paciente Hamilton Andreoni Fernandes, 50 foi quem estreou a nova terapia com o uso da Bric e, segundo ele, sua melhora após iniciar o tratamento foi impressionante. “Cheguei com muita pressão no peito, falta de ar. No primeiro dia que colocaram a bolha a pressão ainda era muito forte, no entanto, quando retiraram dentro do período determinado senti uma melhora fantástica e já estava quase sem essa dor. Então, solicitei que a equipe utilizasse novamente em mim, e depois dessa segunda vez já não sentia mais nada”, disse Hamilton, que deu entrada no Hospital dia 28 de setembro, com 40% do pulmão comprometido e com queda de saturação aos mínimos esforços.

De acordo com a enfermeira coordenadora da ala covid-19 da Santa Casa, Gisele Vilarinho, o paciente caminhava para a intubação devido à falta de ar e a baixa saturação. “Conversamos com a Maura, que rapidamente agilizou a possibilidade do uso da Bric. Nossa equipe se qualificou para o manuseio do equipamento e o paciente foi monitorado todo o tempo por duas fisioterapeutas, enfermeira e médico. A melhora foi visível a cada raio-x dos pulmões, que apresentava a queda da infecção diariamente.

De acordo com Maura, alguns estudos demonstram que a ventilação não invasiva por meio da Bolha de Respiração também atua como importante auxiliar em pacientes que, por conta da covid-19, apresentam fibrose pulmonar, que é quando o tecido pulmonar é danificado devido à uma infecção, causando desconforto na respiração. “O uso do capacete nesta condição pode contribuir para remodelar a fibrose pulmonar que ainda não é definitiva, pois ao diminuir o estresse mecânico sobre o pulmão, bem como a inflamação, permite maior reabsorção de colágeno e, com isso, redução da fibrose”, salienta.

O provedor da Santa Casa, João Orlando Pavão, salientou que as equipes multiprofissionais da instituição estão sempre em busca de capacitação e de equipamentos que ofereçam conforto e ótimos resultados, com eficácia e eficiência. “Os pacientes da Santa Casa podem contar agora com a Bric, na certeza de que este equipamento vai contribuir, e muito, com melhores índices de recuperação.”

Da Redação

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