Coronavírus: São Paulo em calamidade pública; Piracicaba mantém 49 suspeitos

Em coletiva de imprensa, o governador João Doria informou que o estado era de “calamidade o pública” em São Paulo. (Divulgação)
Em coletiva de imprensa, o governador João Doria informou que o estado era de “calamidade o pública” em São Paulo. (Divulgação)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), declarou ontem estado de calamidade pública diante dos casos de coronavírus. Ontem, o último balanço da Secretaria de Saúde informou que subiu para nove o número de mortes pelo Covid-19. Segundo a pasta, os últimos pacientes tinham comorbidades e foram atendidos em hospitais privados. São três homens (70, 80 e 93 anos) e uma mulher (83 anos). A medida assegura que o Governo do Estado possa elevar gastos acima dos limites legais para o enfrentamento da emergência global em saúde pública provocada pela pandemia.


Já em Piracicaba, a semana encerrou com os casos suspeitos estacionados e aumento no número de diagnósticos descartando a doença. De acordo com o balanço divulgado ontem pela prefeitura, são 49 casos suspeitos e 25 descartados. A cidade também fecha mais uma semana sem testagens positivas para a doença.


Na próxima segunda-feira, tem início em todo o estado a campanha de vacinação contra a gripe, uma das medidas para evitar o aumento de novos casos do coronavírus.


Até o momento, São Paulo registra 9.023 casos suspeitos e 775 descartados. Além disso, totaliza 345 casos confirmados, incluindo quatro de outros estados e quatro de outros países.


Após a presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e deputada estadual, professora Bebel (PT), protocolar um ofício na prefeitura pedindo a suspensão das aulas na rede municipal devido a pandemia de coronavírus e o risco à comunidade escolar, o prefeito Barjas Negri (PSDB) divulgou uma resolução suspendendo as aulas na a partir de segunda-feira (23).

A partir da próxima segunda-feira (23), as escolas de todas as cidades estarão fechadas para os estudantes. (Crédito: Claudinho Coradini/JP)


De acordo com o documento, a suspensão será por 15 dias consecutivos, prazo que poderá sofrer alterações. De acordo com o comunicado da prefeitura, a decisão foi tomada pelo prefeito e pela secretária de Educação, Angela Corrêa, em reunião no último domingo.


A medida abrange as aulas da educação infantil, os primeiros anos do ensino fundamental regular e complementar, a educação de jovens e adultos, o Núcleo Pedagógico de Apoio à Educação Especial, cursos de formação e livres e do cursinho municipal.


Assim como os alunos, todos os professores da rede municipal, incluindo diretores, professores e coordenadores deverão entrar em recesso também por 15 dias consecutivos, a partir de segunda-feira.

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A Fumep (Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba) informou ontem que instituiu o sistema de trabalho “home office” por 15 dias, a partir da próxima segunda-feira.


Segundo a instituição, a medida segue orientação das autoridades de saúde e vale para todas as Unidades Educacionais da fundação, liberando para que trabalhem, de casa, as funcionárias gestantes, funcionários com mais de 60 anos, portadores de doenças autoimunes e funcionários que têm ou tiveram câncer.


O retorno desse grupo específico de funcionários às atividades normais, na sede da Instituição, está previsto para o dia 07 de abril, uma terça-feira.

TRANSPORTE
Acatando a determinação da prefeitura, a Via Ágil vai reduzir a frota a partir desta segunda-feira. Ao longo da semana, técnicos da Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte) e da empresa que opera o transporte público na cidade analisaram a demanda de passageiros constatando uma queda que já chegou a 40% do número de usuários.


Diante desse cenário, as linhas serão ajustadas com redução da frota a partir do dia 23. Os horários diferenciados estarão disponíveis no site da empresa (www.viaagil.com.br) e nos quadros de horários dos terminais.


Além de todas essas medidas, a empresa está afastando temporariamente seus funcionários que pertencem aos grupos de risco, ou seja, idosos, diabéticos, hipertensos, pessoas com insuficiência renal crônica, doença respiratória crônica e cardiovascular.

CORREIOS
Os Correios adotaram novas medidas preventivas aos coronavírus. Desde ontem, a empresa passou a realizar a entrega e a coleta de malotes simultaneamente em única visita diária, para melhor aproveitamento da força de trabalho disponível na distribuição e diminuição da frequência de contato com os clientes.


A empresa também suspendeu, temporariamente, a assinatura do destinatário na entrega de objetos postais e está reforçando a importância dos empregados seguirem as orientações de prevenção, bem como de agirem com o respeito, a cautela e a empatia que a situação exige, tanto no ambiente de trabalho quanto no relacionamento com os clientes.

PREÇO ABUSIVO
O Procon Piracicaba já notificou oito estabelecimentos pela possível venda de álcool gel 70% com preço abusivo desde o início da operação Corona, que começou na última terça-feira. Notificados, esses estabelecimentos têm três dias para apresentar as notas fiscais de compra desses produtos nos últimos três meses.

Procon de Piracicaba fez fiscalizações no comércio da cidade e autuou 8 lojas por preço abusivo do álcool em gel. (Crédito: Amanda Vieira/JP)


Caso fique provado que a margem de lucro está acima do permitido, serão multados. A multa pode chegar a R$ 10 milhões, dependendo do tipo de estabelecimento.


O álcool em gel 70% é um dos produtos recomendados pelas autoridades sanitárias para fazer a higienização das mãos e de objetos para redução do contágio pelo Covid-19.


De acordo com o procurador-geral do município e responsável pelo Procon, Milton Sérgio Bissoli, foram visitados até a manhã de ontem, 21 estabelecimentos de 12 bairros de Piracicaba.


A fiscalização segue determinação da Fundação Procon-SP, que é quem aplicará as multas caso seja constatado o abuso. “Não podemos permitir que, em um momento delicado como este, pessoas se aproveitem da fragilidade de outras para lucrar. O Procon, assim como a Administração municipal, têm trabalhado para proteger a saúde da população de Piracicaba e garantir os seus direitos sempre”, disse.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL
A fábrica da Hyundai em Piracicaba estará fechada até segunda-feira. A montadora informou que a medida foi adotada, de maneira preventiva, após a identificação de um caso suspeito de Covid-19 entre os funcionários.
Segundo a empresa, durante este período, haverá procedimento de higienização e desinfecção da fábrica. O funcionário, que trabalha em uma área de suporte à produção, aguarda em casa o resultado dos exames e está recebendo, junto com a família, todo o apoio e atenção necessários.

Hyundai parou as atividades após funcionário ser suspeito de contágio de Covid-19. (Crédito: Claudinho Coroadini/JP)


A previsão para o retorno de operação da fábrica é a partir da terça-feira (24). A Hyundai informou também que está estudando próximas medidas a serem implementadas, conforme a evolução da doença na região. Uma dessas medidas pode ser a antecipação de férias coletivas.


Uma pesquisa do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Pequenas e Microempresas de São Paulo) mostra que 83% dos donos de pequenos negócios acreditam que sua empresa sofrerá impacto com o coronavírus; investir em comércio eletrônico e delivery são alternativas.
Além das graves questões de saúde pública, a doença é uma ameaça para a saúde financeira dos pequenos negócios.


Em São Paulo, uma pesquisa realizada pelo Sebrae-SP mostra que seis entre dez empreendedores estão “muito preocupados” com o vírus. As entrevistas foram realizadas entre os dias 16 e 17 de março com 1509 donos de empresas de todo o Estado.


Para 83% dos entrevistados, o coronavírus vai afetar sua empresa. Entre eles, 95% acreditam que o impacto será negativo. Do total de entrevistados, 12% não sabem se haverá impacto e apenas 5% afirmam que não esperam ser afetados. A preocupação é maior entre os empreendedores da Capital – 90,7% deles esperam sofrer impacto com o coronavírus. No Interior, esse índice cai para 79,1%.


Em relação ao setor de atuação, os empresários mais preocupados estão no comércio: 86,5%, contra 81,9% na indústria e 81,5% no setor de serviços. Já no que diz respeito ao porte da empresa, 90,4% dos donos de empresas de pequeno porte acreditam que vão sofrer impacto. Entre os proprietários de microempresa, esse índice é de 86,8%; já entre os microempresários individuais, são 79,1%.


Os empresários responderam sobre quais os principais impactos negativos que eles esperam para o seu negócio: 71,6% temem queda nas vendas; 59,7% citam redução no fluxo de consumidores e 43,8% redução das atividades da empresa. Era possível responder até três opções.
Já a pequena fatia de donos de pequenos negócios que esperam um impacto positivo do coronavírus citam como expectativa: aumento nas vendas (39,7%), aumento da carteira de clientes (32,7%) e aumento de vendas pela internet (26%).


Diante da ameaça de impacto nos negócios, quatro entre dez empreendedores já estão planejando tomar uma ação. Para 55%, no entanto, o melhor a fazer no momento é aguardar. Entre aqueles que pretendem tomar uma ação, as principais atitudes citadas são: intensificar a higiene no ambiente de trabalho (74,5%), informar os funcionários sobre o vírus (44,5%), trabalhar em home office (29%) e implementar venda pela internet (24,9%).


Os donos de pequenos negócios foram perguntados sobre quais ações imediatas que eles acreditam que poderia ajudar suas empresas. Para 29,6%, a principal seria flexibilidade nos prazos de pagamento de impostos e contas, seguida por isenção de alguns impostos por tempo determinado (26,5%), empréstimos facilitados (14,4%) e abertura de linhas de crédito (13,4%).

Beto Silva

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