SAP faz levantamento inédito sobre população LGBTQI+ presa

Levantamento aponta que cerca de 900 pessoas trans estão sob custódia da Secretaria (Divulgação/SAP)

A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) realiza um levantamento inédito sobre o número de pessoas transgêneros que estão nos presídios do estado, na semana em que se comemora o dia da visibilidade trans, que é lembrado no dia 29 de janeiro. Nos dados apurados pela Pasta constarão a Penitenciária Masculina, CDP (Centro de Detenção Provisória) Nelson Furlan e CR (Centro de Ressocialização) Feminino Carlos Sidnes de Souza Cantarelli, em Piracicaba.

O levantamento realizado em outubro de 2019, apontou que, das então 232.979 pessoas custodiadas na SAP naquele período, 869 se declararam mulheres trans ou homens trans. Ao todo, eram 5.680 presos (as) LGBTQI+.



De acordo com a Pasta, em todas as unidades femininas há presença de lésbicas, bissexuais e homens trans de forma dispersa. Nas unidades masculinas também há presença dispersa de homens gays, bissexuais, travestis e mulheres transexuais, mas há concentração dessa população, especialmente pessoas trans, em algumas unidades. Pessoas intersexuais e assexuais estão tanto em unidades masculinas, como em femininas. Na CRC (Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Central (CRC), que atende as unidades prisionais de Piracicaba, a maior concentração do público LGBTQI+ está na Penitenciária Dr. Danilo Pinheiro, Sorocaba 1, Penitenciária Compacta de Guareí 2 e Penitenciária Dr. Antônio de Queiroz Filho, em Itirapina.

APURAÇÃO

Ainda conforme a Pasta, os questionários foram preenchidos por um servidor, acompanhado da pessoa questionada, sendo a própria pessoa que se identificava como pertencente a determinado gênero ou sexualidade. Quando havia dúvidas, os agentes penitenciários mostravam um gráfico que explica cada identidade/ sexualidade. Os servidores foram treinados para explicar, em linguagem acessível, cada uma das diferenças. O levantamento será importante na formulação de campanhas destinadas à defesa dos direitos desse público.

A pesquisa, também aponta que a maioria das pessoas que se declaram travestis e mulheres trans preferem ficar em unidades masculinas: das 701 que preencheram esse item no questionário, 535 (76,32%) expressaram essa preferência. Entre os homens trans, 82,35% dos que responderam ao questionamento (51) declararam-se a favor de permanecer em unidades femininas.

 

Cristiani Azanha

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