Mães relatam dificuldade de diálogo com professores e falta de novas atividades (Foto: Amanda Vieira/JP)

O Jornal de Piracicaba, por meio de uma rede social, recebeu reclamação sobre o método utilizado pela rede municipal de ensino no que diz respeito à educação à distância dos alunos do Infantil e Fundamental I durante a quarentena.

No comentário, uma cidadã, mãe de aluno na rede, equipara o sistema do município ao usado pela rede estadual, e questiona por que a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, não faz uso de algum aplicativo para a dinâmica de estudo neste período. Para responder as críticas e dúvidas, a reportagem coletou dados com a pasta e também conversou com uma diretora de escola do município.

“Queria saber porque nas escolas estaduais está tendo o sistema online, onde os alunos têm acesso aos professores para tirar dúvidas, e na escola municipal eles mandam um monte de atividades, sem nenhuma explicação? Passam um e-mail da professora para tirar as dúvidas e elas nem ao menos responde. Por que a prefeitura também não fez como o Estado? Um aplicativo para ajudar às crianças?”, questiona a mãe.

Debora Romanin Macari, mãe de duas crianças que estudam no ensino municipal, Pedro no 3º e Pietra no 1º do Fundamental 1, conta que o método pensado pela rede, num primeiro momento, funcionou, mas colocou diversas ressalvas. Eles estavam desde 26 de março sem atividade e, segundo Débora, demorou um tempo para vir a primeira lista – hoje são disponibilizadas regradamente, ela conta, de quinze em quinze dias.

“Para a minha filha, que está numa fase de adaptação, eu não tive problemas. Aprendeu a ler aqui comigo. Imprimi muita lição antes de começar a vir as atividades de matemática, português e educação física. Mas, no caso do meu filho, é diferente. As atividades que chegam são as mesmas, mas ele tem outras disciplinas. Faltam atividades, por exemplo, de ciências, história e geografia. E nada de matéria nova, é tudo que ele já aprendeu. Não vejo evolução”, revela a mãe.

A comunicação de Débora com uma professora do filho também foi colocado por ela como um ponto negativo nesta dinâmica. “A procurei para falar sobre uma atividade de matemática e ela simplesmente me falou para procurar o Google, que tem vídeo que ensina. Esperava uma atenção melhor”.

A Secretaria Municipal de Educação também se posicionou sobre o assunto. “Casos específicos de reclamações devem ser apurados, mas para isso é preciso saber onde, quando e com quem o problema ocorreu. A Secretaria Municipal de Educação desenvolveu um planejamento para que todas as crianças da rede sejam contempladas com materiais”, respondeu, via assessoria de imprensa.

O resultado desta dinâmica, na avaliação da pasta, é positiva, “dentro da realidade de pandemia”. “O método adotado tem apresentado bons resultados e permite que o vínculo entre escola, alunos e famílias seja mantido. Além disso, muitas escolas, além das atividades pedagógicas, estão desenvolvendo atividades sociais”, completa em nota.

Diretora da rede aponta importância do vínculo familiar
Sandra Regina de Souza, há quase 12 anos como diretora da Escola Professor Fabio de Souza Maria, no bairro Santa Rita-Colibris, explica que o método emergencial da rede municipal é diferente do que se aplica no Estado, primeiro, pela idade dos alunos, de 6 a 10 anos, cujo aprendizado não é apostilado e é estimulado diretamente pela relação aluno e professor, algo impossível de acontecer no momento.

Desta forma, explica a diretora, a participação dos pais é fundamental durante o período em que as aulas na rede municipal estão suspensas. “Sabemos que os pais nem sempre podem acompanhar por muitas horas os estudos com os filhos, eles têm trabalho e outros afazeres. Mas estamos sempre os incentivando que acompanhem e fale com os pequenos, ajuda a manter um vínculo familiar”, afirma Sandra.

Direção e professores atendem os pais em plantões esporádicos nas próprias escolas, revela a diretora. “Ficamos sempre à disposição da comunidade. Além disso, mantemos também uma página da escola no Facebook e atendemos por e-mail”. No entanto, de fato, durante este período, os alunos estão mesmo sem contato com os professores.

Outro contato que as escolas municipais mantêm com os pais ou responsáveis, explica Sandra, é nos dias em que são entregues as listas de exercícios destinadas aos alunos – recebem quinzenalmente. “Optamos por imprimir porque entendemos que são pequenos e nem todos possuem celular ou computador para fazer no digital. Só usamos a internet para avisar os pais sobre as datas de entrega”.

A maioria dos pais aparece no dia estipulado pelas respectivas direções, apesar de um número considerável de ausências. “A retirada ano dia é de 80%, e muitos nos ligam depois, pedindo um novo dia para pegar as listas”. Até um eventual atendimento presencial ao aluno, segundo Sandra, é possível, mas não é o aconselhado pela secretaria. “São crianças, o vínculo afetivo com os professores é grande. O perigo de atenderem na escola é o aluno querer voltar sempre e outros quererem vir”, pondera.

Erick Tedesco

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

nove − cinco =