Sem emprego, cresce número de pessoas que pedem ajuda nas ruas

Foto: Amanda Viera/JP

A crise econômica que se arrasta pelo país, agravada pela pandemia, tem fortes impactos sociais, em especial o desemprego. De janeiro até setembro, Piracicaba tem um saldo negativo de 2.428 vagas de emprego, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), puxado pelos meses de abril a junho. Nesse cenário vê-se nas ruas um aumento de pessoas que recorrem à ajuda de terceiros ao pedir dinheiro em semáforos ou às beiras das calçadas.


“Hoje estou sem emprego. Auxílio está em análise, preciso de ajuda”. É o que está escrito no pedaço de papelão que o jovem Jeferson Francisco Assis carrega ao pedir ajuda no cruzamento da rua Benjamin Constant com a avenida Dr. Paulo de Moraes.


Ele conta que costuma trabalhar como padeiro, mas está há um ano sem emprego. Afirma que, com a pandemia ficou mais difícil, e tem visto mais pessoas na mesma situação que a dele. Agora está atrás da aposentadoria pois, segundo ele, é deficiente intelectual.

A percepção da população ao andar pelas ruas da cidade também aponta para um aumento de pessoas em vulnerabilidade. A autônoma Laís Pizele lembra que sempre viu essas situações, porém aumentou por conta da pandemia. “Elas dizem que estão desempregadas, que precisam de ajuda, que estão passando fome, necessidade”, conta.


A jovem Pâmela Fernandes, 19, afirma que mais pessoas a abordaram nas ruas pedindo ajuda nos últimos meses, principalmente ao redor da Praça José Bonifácio e na rua Benjamin Constant, na altura do TCI (Terminal Central de Integração).

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O comerciante Hamilton Orsini pontua que essa situação não se dá apenas pela pandemia, mas pelas ações dos governos anteriores no país. “Acho que já vem de muito tempo. Nosso poder público está meio abandonando, estão tentando governar para uma minoria e deixando a maioria”, comenta.


Para a professora do departamento de economia, administração e sociologia da Esalq/USP, Eliana Tadeu Terci, Piracicaba segue a tendência nacional das consequências do impacto do isolamento social na economia. Porém, para a acadêmica, o cenário também é resultado de ações do Congresso Nacional e do Governo Federal, como a reforma trabalhista, que, em sua análise, deixou os empregados informais mais vulneráveis e “facilitou demissões”. “Você derruba direitos, facilita as demissões e piora a situação social a ponto do país voltar ao mapa da fome e isso já se anunciava antes da pandemia”, comenta.

Segundo a professora, o que chama de “processo de empobrecimento da população” se agrava desde a aprovação da PEC de teto de gasto, que junto à reforma trabalhista, da previdência e pandemia “são os ingredientes perversos que fazem o Brasil hoje ser um dos países mais desiguais”, afirma.

De acordo com a Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), a pasta cadastra a população em situação de vulnerabilidade no Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social). Ao detectar que a pessoa está em situação de rua é orientada a procurar o Centro Pop e ir para o Vida Nova, abrigo, se desejar. Aos demais, a orientação é procurar o Cras (Centro de Referência da Assistência Social).

Andressa Mota

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