Sem perspectivas, indústria vivencia 25 de maio de maneira atípica

No total 1.559 admissões ante 3.300 desligamentos (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Em 60 dias de paralisação, desde que o Governo do Estado de São Paulo decretou a quarentena como forma de mitigar os efeitos da pandemia do coronavírus, os setores produtivos aguardam a flexibilização (ou não) para retomada da economia a partir do próximo dia 31, quando termina a prorrogação do período determinado pelo Estado.


Com isso, o 25 de maio deste ano, quando se comemora o Dia da Indústria, vive uma situação atípica. Com a produção estacionada ou reduzida, funcionários em férias ou contratos suspensos, a preocupação do setor nesse dia é quando e como será a retomada da produção.


O secretário de Desenvolvimento Econômico e vice-prefeito de Piracicaba, José Antonio de Godoy, destaca que, mesmo considerando que o setor industrial está liberado para funcionar durante a quarentena, é preciso levar em conta que muitas indústrias estão com atividade paralisada, ou funcionando em ritmo reduzido, devido à paralisação de outros setores, em especial indústrias ou o comércio.


“Entendemos que o setor se recuperará em espaço menor de tempo, pois não estará dependente do público consumidor, direto, mas certamente fecharão o ano com volume menor que 2.019, salvo exceções que fornecem para os chamados setores essenciais”, pontua.


Segundo ele, o principal impacto está sendo nas demissões de funcionários, mesmo algumas empresas utilizando da redução de carga de trabalho e remuneração, antecipação de férias, mesmo assim não vêem perspectiva no curto prazo para atividade intensa aos níveis do final do ano.


O secretário destaca ainda o impacto efetivo na arrecadação do município pela redução dos tributos estaduais e federais, reduzindo os repasses à prefeitura.


Godoy acrescenta que o município já começou a se preparar para os efeitos dessa redução da atividade econômica, fazendo contenção no orçamento em torno de R$ 60 milhões e, mesmo assim, com expectativa de falta de recursos para o ano.

EMPREGO
As 1.347 indústrias instaladas na Região Piracicaba geram atualmente 46.382 empregos, segundo dados da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Para o gerente regional, Homero Scarso, de maneira geral todas as indústrias sofrerão as consequências da pandemia.


Em sua avaliação, ele pondera, no entanto, que determinadas empresas irão sofrer mais, outras menos os impactos. “Se uma empresa produz e o local de venda para o seu consumidor final estiver fechado, o impacto será maior”, aponta.


“Mas se o produto está relacionado a atividades essenciais, com certeza, não sofrerá tanto”, compara.

Scarso destaca que, para a retomada da economia será necessário que o governo disponibilize linhas para empresários que enfrentam dificuldade em obter crédito. “Cada um está dando sua quota de contribuição, é preciso alongar as linhas de crédito, com juros até abaixo da Selic”, aponta.

Em meio a onda de pessimismo, o gerente destaca a importância do agronegócio nesse momento delicado e que pode contribuir de forma positiva para a retomada da economia nacional. “Mais uma vez o agronegócio vai ajudar o Brasil, as empresas que fornecem para o setor têm condições de voltar (a produção) mais rápido”, comemora.


BALANÇA COMERCIAL

De acordo com os dados do Ciesp em Piracicaba, as exportações da regional registraram US$ 602,9 milhões no período de janeiro a abril deste ano. O número mostra um decréscimo de 35,5% na comparação do mesmo período do ano passado.


Já as importações somaram US$ 445,6 milhões, o que também significa uma queda de 26,2% frente ao mesmo período do ano passado.


Os principais produtos exportados foram máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (65%), produtos químicos orgânicos (7,5%) e açúcares e produtos de confeitaria (6,6%).

Por outro lado, as importações da regional se concentraram em máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (27%), veículos automóveis, tratores (23,9%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (12,2%).

Beto Silva