Sentido e propósitos da oração (3): a oração como serviço

 

Todas as religiões e filosofias espiritualistas estabelecem, como parte de seu programa de vida, o serviço e a colaboração no sentido de amenizar situações e circunstâncias desfavoráveis, bem como ações que favoreçam a transformação da realidade para melhor.

Os caminhos espirituais apregoam como um dos seus princípios fundamentais, complementares ao estudo das escrituras tradicionais e de outros textos elevados, e como a natural expressão da comunhão divina, a ajuda ao próximo e a prática da caridade.

Parte essencial desse propósito, a oração se apresenta como um serviço espiritual, sutil, e aqueles que têm consciência do seu valor sabem da influência benéfica que propicia.

Segundo instrutores diversos, quando compreendida nas suas mais amplas possibilidades, a oração se oferece como ferramenta de inestimável valor para o serviço espiritual. Abre e amplia portais pelos quais energias superiores se tornam disponíveis, capazes de transformar as circunstâncias, sempre para melhor; acessa poderes que estão muito além da diminuta capacidade pessoal; projeta luz nos obscuros caminhos humanos; desperta e fortalece a fé; encoraja quem se encontre diante de situações as mais desafiadoras; enfim, evoca e revela o potencial divino na vida humana. Esses instrutores têm afirmado que a situação planetária alcançou tal nível de contaminação, degradação e saturação que a solução dela é por demais complexa para as acanhadas possibilidades humanas; no entanto, a oração pode ser um dos recursos mais importantes a serem usados, seja individualmente ou em grupo, como catalisador de forças espirituais, abertura ao influxo de energias superiores, cujos efeitos ainda são ignorados pela maioria das pessoas.

Existem situações e problemas – psicológicos, familiares, sociais, econômicos, políticos, ambientais – sobre os quais nossa ação externa e imediata pode ser muito limitada, quando não impossível; circunstâncias que extrapolam nosso âmbito de atuação, nas quais nenhuma intervenção direta é possível. Nesses casos, a oração pode ser ferramenta útil, como irradiação de energias positivas, mensagem silenciosa e trabalho sutil, mas poderoso, que venha a beneficiar quem lhe receba a influência.

Em circunstâncias nas quais pouco se possa fazer do ponto de vista externo, a oração – seja articulada ou em silêncio – sempre pode auxiliar, principalmente quando expresse a presença, a atenção e a intenção de alguém consciente e amoroso.

Há pessoas e grupos, de espírito altruísta, que se dedicam à oração, ofertando parte do seu tempo, atenção e energia para o bem do próximo, prestando serviço de inestimável valor, muitas vezes de forma discreta ou anônima. Ainda não se tem noção da importância de uma atividade dessa natureza, sobretudo em condições como as atuais.

Orar é também uma forma de agir, desde que não signifique fuga de outras ações necessárias nem dos desafios que se deve enfrentar.

À medida que se desperta para um sentido existencial mais profundo e para os mais elevados propósitos de vida, naturalmente surge e se amplia a aspiração a servir, pois qualquer forma sob a qual se manifeste, o serviço é expressão espontânea da alma, fonte de alegria e de satisfação interior. Dentre as infindáveis formas de se fazer o bem, a oração se apresenta como uma das mais acessíveis e simples, ao mesmo tempo que favorece todas as outras.

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