Servidoras negras sofrem racismo na Saúde, denuncia Conepir

Servidoras denunciaram coordenadora do PAD (Credito: Amanda Vieira/JP)

O Conepir (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba) denunciou um caso de racismo envolvendo uma técnica e uma auxiliar de enfermagem que atuam no PAD (Programa de Assistência Domiciliar) do Piracicamirim. As servidoras acusam a coordenadora do programa de perseguição e ofensas em uma rotina que dura quase dois anos.

Em 2018, as funcionárias procuraram a Polícia Civil e registraram um Boletim de Ocorrência de injúria. À polícia, elas contaram que sofriam racismo desde 2015. Segundo elas, a coordenadora chama a atenção em voz alta e sempre faz menção à cor da pele das mulheres. “Ela esfrega o dedo no braço da vítima e diz ‘essa corzinha não tem jeito mesmo’ ou ‘só podia ser a cor mesmo’”, traz um trecho do documento que o Jornal de Piracicaba teve acesso.

As servidoras contaram que já tentaram agendar uma audiência com o secretário de Saúde, Pedro Mello, mas nunca conseguiram. Em uma ocasião elas entregaram uma carta ao gestor relatando o fato e solicitando uma reunião. A resposta, no entanto, nunca chegou.

As ofensas e hostilização teriam ocorrido até na presença de outros funcionários, segundo relato das profissionais à polícia.

O presidente do Conepir, Adney Araújo, disse que se reuniu com o secretário de Saúde na última sexta-feira (21) e cobrou um posicionamento. Ele disse que as servidoras vêm sendo prejudicadas, uma vez que não estão autorizadas a fazer horas extras como os demais funcionários. Segundo ele, as funcionárias vivenciam o racismo institucional, com situações humilhantes. “Tivemos uma reunião dura com o secretário. A pergunta foi: você está fazendo o movimento negro de besta?”, contou o presidente.

“Pela demora em dar uma solução, a coordenadora acredita na impunidade e continua fazendo pior. Agora as vítimas vão fazer outro B.O. por assédio moral. Mais um agravante no processo”, acrescentou Araújo.

TRANSFERÊNCIA

Segundo ele, a forma encontrada pela Secretaria foi transferir as duas servidoras para outras unidades. “Enquanto isso a coordenadora fica no mesmo posto e as vítimas são punidas”, lamentou.

O presidente do Conepir disse que o caso também é acompanhado pela Coordenadoria de Políticas para as Populações Negras e Indígenas, órgão ligado à Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo e pela Comissão de Igualdade da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Piracicaba).

A Secretaria de Saúde foi procurada e, por meio da assessoria de imprensa, prometeu enviar resposta ainda nesta quinta-feira (27).

Beto Silva

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1 COMENTÁRIO

  1. O setor mais cruel onde já trabalhei até agora tem sido o da saúde pública em Piracicaba. É lamentável. A população poderia ter o melhor serviço do mundo se não houvessem terriveis profissionais atuando, pois o SUS é ótimo.

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