Sexualidade Humana: um estudo necessário (Parte II)

Embora essa revolução de costumes tenha se instalado em nosso cotidiano, não podemos esquecer que nossas raízes religiosas e culturais nos deixaram de herança uma série de receios, medos e preconceitos relativos à sexualidade. Essas influências históricas levam-me a chamar a sociedade em que vivemos de ‘pseudoliberal’, já que discursa sobre uma aceitação da sexualidade e de sua prática, mas emite formas diversas de preconceitos e repressão. Por certo, esse comportamento ambivalente fomenta a distorção das informações sobre sexualidade, solo fértil para a reprodução de mitos e crendices sexuais. Não é de se estranhar que o relato de vivências sexuais carregadas de ansiedade e culpa sejam frequentes nas queixas sexuais recebidas por profissionais das áreas de saúde física e emocional. Acredito que o profissional que orienta para uma sexualidade saudável necessita, além de absorver informações técnicas sobre sexualidade, repensar sua prática, tornando-se útil também conhecer a história da sexualidade humana, para rever uma série de conceitos pessoais recebidos durante um trajeto muito particular da vida de cada um, carregado de carga moral e afetiva, pois, ‘…não é possível separar o eu pessoal do eu profissional, sobretudo numa profissão fortemente impregnada de valores e de ideais e muito exigente do ponto vista do empenhamento e da relação humana’ (Nóvoa).
Acredito que a atualização profissional possa representar um crescimento na atuação desses profissionais com um possível aumento na qualidade de compreensão da sexualidade e na vida sexual das pessoas. Esta compreensão envolve um processo de conscientização de uma sexualidade ampla, que não se restringe à genitalidade, e que visualiza os indivíduos como cidadãos integrados em sua afetividade e em seu contexto sociocultural.
Com um aumento de conscientização pessoal aliado ao conhecimento e a uma valorização da importância da sexualidade no processo de vida, acredito que podemos pensar em uma profilaxia que possa minimizar os riscos e frustrações decorrentes de uma sexualidade sem orientação, geradora de consequências como a gravidez indesejada, as DST, os abortos e suas complicações, e diversas disfunções sexuais”.
Uma observação importante: a alguns anos atrás fizemos uma pesquisa em âmbito nacional sobre a prática sexual dos brasileiros. Dentre várias descobertas quero citar apenas uma: quanto mais informação e orientações corretas e científicas a respeito da sexualidade humana desde a infância e durante a adolescência, os jovens adiam em até dois anos o início da prática sexual. Ou seja, ao abordar o tema sem preconceitos e com informações adequadas não há a necessidade de buscar respostas na prática. No entanto, há um receio (pavor} por uma boa parte de pais e educadores em tocar no assunto temendo despertar e/ou incentivar seus filhos/educandos a fazer sexo. Como podem ver, a pesquisa provou o contrário! Por isso a importância de se abrir espaço para uma educação sexual continuada nas escolas desde o Ensino Fundamental. Quanto mais os pais e educadores forem “perguntáveis”, maiores as chances dessa criança e/ou adolescente evitar buscar respostas às suas curiosidades e angústias em fontes inadequadas. Lembrando que, profissionais como eu que, além de terapeuta sexual também sou educador sexual, não podemos passar nossos valores de certo e errado para nossos pacientes e/ou educandos! Apenas abrir espaço para perguntas e possíveis esclarecimentos.

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