Silvia Andréia Mantoani: Major tem a Polícia Militar no sangue

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Major Sílvia é coordenadora operacional do 10º BPM/I (Claudinho Coradini/JP)

Filha do cabo da Polícia Militar Onofre Jesuino Mantoani, já aposentado, e da dona de casa Cilene Dias Mantoani. Casada com o tenente-coronel Marlon Robert Niglia, que passou pra reserva no início deste mês, a major Sílvia Andréia Mantoani, tem duas filhas Ana Luiza, Alice e o enteado Enzo.

A major Sílvia, como é conhecida em seu ambiente de trabalho, tem a corporação no sangue. Não se intimida com os desafios que começou a enfrentar desde cedo. Deixou sua família em Adamantina, no interior de São Paulo, aos 17 anos, para ingressar na carreira militar, na Academia do Barro Branco, em São Paulo, onde se preparou para exercer sua primeira função na corporação como tenente. Depois de formada, passou a trabalhar na Capital, cidade mais populosa do Estado, São Paulo.

A oficial enfatiza que a mulher tem seu espaço reconhecido na instituição. Atualmente, ela é coordenadora operacional do 10º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior), que atua em 11 cidades da região de Piracicaba. Ressalta que sua corporação respeita e dá as mesmas oportunidades para as mulheres. Um exemplo dessa realidade, que cada vez mais tem ganhado espaço é que as mulheres hoje são presentes no Corpo de Bombeiros, nos batalhões e também pilotam os helicópteros do Águia da PM.

Após seu ambiente de trabalho, ela também exerce a dupla jornada em casa e cuida da família com muito carinho. Conheça um pouco mais sobre essa mulher guerreira e cheia de fibra no caderno Persona deste domingo:

O que representa Piracicaba para a senhora? Piracicaba foi uma grata surpresa e um desafio profissional muito bem-vindo, a experiência, aqui tem agregado muito na minha carreira, além de ser uma terra muito hospitaleira onde já temos grandes amigos. Nossa família teve uma excelente adaptação aqui, o que não é difícil, pois a cidade é maravilhosa de se viver. Piracicaba já é minha segunda terra natal!

Quais colégios estudou? Toda a minha vida escolar foi em Adamantina/SP, em colégios públicos, as escolas estaduais Navarro de Andrade e Hellen Keller.

A senhora saiu de casa muito cedo? Sim, já com 17 anos eu ingressei na Academia do Barro Branco aos 17 anos e logo depois passei a exercer minhas funções dentro
da corporação.

Quais foram suas atividades antes da PM? Como ingressei na Academia muito jovem, eu não tive uma atividade profissional antes, mas dedicava meu tempo aos estudos e ajudava meus colegas com aulas de reforço de matemática, química e física. Também atuava como catequista, evangelizando crianças e adolescentes na Igreja Católica em Adamantina, atividade que também desenvolvo hoje aqui em Piracicaba, pois fui acolhida pela comunidade da Paróquia Bom Jesus do Monte.

Quando decidiu tornar-se uma policial militar? Teve influência de alguém? Sempre admirei muito meu pai, aliás até hoje ele é minha referência, ele foi minha inspiração para ingressar na instituição e ainda é minha inspiração diária para fazer sempre o melhor que puder.

Qual foi a sua turma? Quando entrou era um universo machista? Entrei na Academia do Barro Branco em 1993, minha turma era composta por cerca de 380 homens e por 36 mulheres. Na época, já havia uma turma formada em 1992, e outras três turmas mistas que estavam em curso. A mulher na polícia já não era novidade, pois em 12 de maio de 1955 foi criado o primeiro Corpo Especial de Policiamento Feminino. Lideradas pela coronel Hilda Macedo, 13 pioneiras que foram apelidadas de “As treze mais corajosas de São Paulo”. Hilda Macedo, assistente da cadeira de Criminologia da Escola de Polícia, cujo titular era o professor Hilário Veiga de Carvalho, defende a igual competência de homens e mulheres ao apresentar, no I Congresso Brasileiro de Medicina Legal e Criminologia, uma tese sobre a Polícia Militar, onde escreve: “a criação da Polícia Feminina é, pois, de se aconselhar formalmente, sendo encomiástico um voto para seu imediato estabelecimento consubstanciando uma corporação que formará harmonicamente ao lado de seus irmãos, os policiais, para o melhor cumprimento da lei de da manutenção da ordem, dentro dos ditames da compreensão, do auxílio e da bondade”. E assim a Policia Feminina do Estado de São Paulo, primeiro contingente feminino da América Latina, tinha inicialmente a missão de amparar mulheres e crianças vulneráveis, mas hoje a mulher já conquistou todos os espaços dentro da Instituição. Temos mulheres no Corpo de Bombeiros, mulheres que pilotam os “Águias”, nos Batalhões de Choque, etc. Na academia militar nós éramos minoria e estávamos, naquela época, fortalecendo nossa presença no meio policial, então tínhamos que nos dedicar muito para comprovar nossa capacidade. Mas não era um universo machista, fomos bem acolhidas pelos colegas de turma, que se tornaram grandes amigos.

Quais foram as suas primeiras funções na Polícia Militar? Após quatro anos de formação na Academia da Polícia Militar Barro Branco, trabalhei por mais quatro anos na Capital, quanto então passei a trabalhar na região de Presidente Prudente/SP, onde permaneci a maior parte da minha carreira. Em 2019 surgiu o convite de vir trabalhar em Piracicaba, onde estou atualmente.

Como mulher, como tem redobrado os cuidados com relação ao trabalho e depois em casa com a dupla jornada com filhos, familiares ou amigos nesse período de pandemia? Toda mulher que trabalha fora tem os desafios de uma jornada dupla, conosco não é diferente. Muitas vezes, temos demandas fora de horário, mas tudo isso já é normal no nosso trabalho. A pandemia trouxe muitas incertezas, muito medo e insegurança, principalmente porque nós não deixamos de trabalhar um dia sequer de forma presencial, então foi um processo de adaptação à nova realidade, com os cuidados redobrados tanto no trabalho quanto em casa. No trabalho tentamos manter o distanciamento (que nem sempre é possível em razão da peculiaridade do nosso trabalho), uso de máscaras, higienização constante das mãos, e ao chegar em casa também tomamos os cuidados necessários antes de iniciar a segunda jornada com as filhas e a casa.

Quais os procedimentos adotados pela PM nas ações de prevenção à criminalidade, visto que a PM nunca para e está em todos os lugares? A Polícia Militar utiliza ferramentas tecnológicas para planejamento operacional. O PPI (Plano de Policiamento Inteligente) permite a análise de demandas e direcionamento de recursos, tudo sempre reavaliado através das RAC (Reuniões de Análise Crítica) que podem ser semanais, quinzenais ou mensais, dependendo da necessidade. De posse das demandas e diagnósticos criminais são desenvolvidos os CPP (Cartões de Prioridade de Patrulhamento), que são seguidos pelas viaturas policiais no seu turno de serviço. Ainda para análise, acompanhamento criminal e produção operacional, utilizamos o DEGEO (Diagnóstico Evolutivo Geo ponderado) que avalia mensalmente o desempenho de cada município. Além disso, o “Copomon Line” tem acesso a diversos bancos de dados que permitem consultas rápidas de criminosos e veículos suspeitos. Também como ferramenta muito importante existe o sistema Detecta que monitora, por meio de câmeras, veículos suspeitos, emitindo alerta da rota desenvolvida por tal veículo, possibilitando o acionamento da viatura mais próxima.

Quais as novas ações de atuação do 10º BPM/I nas 11 cidades da região de Piracicaba? Ainda em fase de implantação estamos trazendo para o 10º BPM/I mais uma ferramenta muito importante que possibilitará adequado tratamento às demandas sociais, monitoramento de medidas cautelares, medidas protetivas e muitas outras funcionalidades. Trata-se do Sistema Órion. Então o policiamento tem planejamento, diagnóstico, análise aliados a tecnologia, além de todo o trabalho integrado e em parceria com outros órgãos: Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário, Guarda Municipal, entre outros.

Como é atuar em uma função de comando em sua instituição? Como é recebida? Estou na Polícia Militar há 28 anos e nunca tive problemas por ser mulher, sempre houve muito respeito e também muito espaço pra diálogo. Procuro desenvolver uma liderança servidora e participativa. Trabalhamos em equipe.

O que representa a Polícia Militar em sua vida? Acredita que é a sua segunda família? Pode-se dizer que estou na Polícia Militar desde criança, em razão do meu pai, então é muito importante pra mim, é onde fortaleci meus valores, de onde tiro meu sustento e da minha família, é a profissão que me permite fazer muito pela sociedade e, principalmente, por aqueles menos favorecidos que na hora do sufoco só tem o “190” como recurso. Ser policial militar pra mim não é apenas uma profissão, é um sacerdócio, um projeto de vida e um sonho realizado. E posso dizer, sem sombras de dúvidas que é a minha segunda família.

O que diz para os jovens pretendem ingressar à carreira? A Polícia Militar é para aqueles jovens idealistas, que tem amor à causa pública e colocam a vida e a segurança do próximo em primeiro lugar. Fazer o bem sem olhar a quem! Precisa de vocação e dedicação. É uma carreira muito gratificante e que, com certeza, proporcionará uma vida digna.

Cristiani Azanha
[email protected]

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