Aos 120 anos, Sinfônica de Piracicaba torna-se Patrimônio Imaterial

Orquestra Sinfônica de Piracicaba tem 120 anos | Foto: Rodrigo Alves

Com 120 anos, completados no último mês de março, a OSP (Orquestra Sinfônica de Piracicaba) é não só nome de peso da música erudita de São Paulo, pelos feitos e músicos consagrados que estão ou ali fizeram parte, mas cujo ofício e atividades reverberam por todo o Brasil.

É, inclusive, considerado o grupo deste gênero que possui mais tempo de pleno funcionamento do país. São requisitos que legitimam, sem dúvida, o registro de Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Piracicaba, proferido no dia 4 de dezembro pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba).

Para Jamil Maluf, diretor artístico e regente titular da OSP, a notícia foi recebida em duas etapas. “Primeiro foi a surpresa por ainda não ser um Patrimônio Imaterial de Piracicaba, e em seguida fiquei muito feliz pelo reconhecimento”, conta em entrevista ao Jornal de Piracicaba.

O ilustre piracicabano, fundador da OER (Orquestra Experimental de Repertório) aponta que este registro, além de elucidar a importância da OSP ao município e ao país, protege a orquestra “de eventuais ações que possam prejudicar sua atuação”. Um título com dupla função, ressalta Maluf.

A decisão do Codepac seguirá para o Executivo, que emitirá um decreto, a ser publicado no Diário Oficial nos próximos dias. Diferente de um bem imóvel, no bem cultural de natureza imaterial não existe o tombamento, mas sim o registro.

Além disso, continua o maestro e diretor do grupo, se tornar um Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Piracicaba significa dar ainda mais relevância à continuidade da OSP, isto é, mostrar ao Poder Público e à iniciativa privada que a orquestra tem muito valor. “Passa a chamar mais a atenção de ambos, para não deixar o patrimônio morrer. Deve ser amparada e protegida”.

Diretor artístico associado da OSP, André Micheletti lembra que a orquestra também é reconhecida por leis municipal e estadual como entidade de utilidade pública. “Devemos a conquista ao nosso público, às empresas parceiras e ainda ao poder público. Eles são pilares indissociáveis, que garantiram a sustentação da OSP”, destaca o também violoncelista, piracicabano e professor de música na USP de Ribeirão Preto.

Maluf respalda Micheletti. “A OSP tem um público consolidado, numeroso, é o que de fato dá peso ao grupo”. Ele aponta que entre as principais premissas do conjunto está a democratização da música clássica a todos os públicos, tanto que a OSP realiza 58 eventos durante o ano. “Sempre primou pela qualidade de sua programação artística, apresentada com entrada franca a seu publico, e recebeu 95 mil pessoas desde 2015”.

Para a secretária da Ação Cultural e Turismo, Rosângela Camolese, a importância de se ter uma legislação específica para o registro de bens imateriais reside no reconhecimento legal das expressões que fazem parte da vida da sociedade. “Os registros do sotaque e do dialeto caipira, da Festa do Divino e, agora, da OSP, dão mostras da preocupação e do reconhecimento do poder público de nossas manifestações culturais”, avalia.

Erick Tedesco

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