Solidariedade, um mergulho necessário

Foto: Pexels

Andréa Mattedi de Almeida é presidente do Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba (Fussp).

Pular na água exige preparo, dedicação e treino. Nadar, para mim, sempre foi mais do que trabalho, um exercício que me aproximava do outro, do meu próximo. Como mãe, sempre incentivei meus filhos a praticar natação, e hoje, são meus alunos que me motivam diariamente a cair na água – o que me traz os melhores e mais felizes momentos da minha vida. O mergulho no Fundo Social de Solidariedade (Fussp) não aconteceu aos poucos, como toda iniciação nas águas: confiei no meu companheiro de uma vida e mergulhei de cabeça.

Coordenar o Fussp tem sido uma grande experiência, que me dá folego para seguir com tantas outras atividades. Ele é uma extensão da Secretaria de Governo, na qual atuamos com o Banco de Alimentos, a Central de Projetos e programas que oferecem apoio aos cidadãos em situação de vulnerabilidade.

Como o órgão não dispõe de recursos financeiros, o trabalho só ocorre, efetivamente, por meio de campanhas. É neste formato que a solidariedade encontra forças para realizar seus projetos, concretizar as ações mais urgentes e planejar o futuro, ou seja, é por meio da colaboração de cidadãos, parceiros e empresas que conseguimos oferecer o básico para a dignidade tão necessária à sobrevivência humana. Desde janeiro de 2021, o Fussp tem realizado campanhas de arrecadação de alimentos, fraldas geriátricas, cobertores, mantas, roupas e edredons. De janeiro a julho de 2021, foram arrecadadas em torno de 170 toneladas de alimentos, das quais 150 já foram distribuídas, atendendo em torno 6.500 famílias – um total de 22 mil pessoas. Também foram distribuídas 18 toneladas de legumes às instituições que fornecem refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Além disso, o Fussp e seus parceiros arrecadaram agasalhos e outras peças de inverno, contabilizando um total de 15.803 peças até a primeira semana de agosto. Deste total, 2.372 são cobertores, mantas e edredons. Além de cerca de 850 acessórios de lã, como gorros, cachecóis e meias, produzidas por um grupo de cerca de 85 tricoteiras voluntárias, que receberam novelos e os transformaram em itens essenciais para o inverno.

Por meio da Central de Projetos também arrecadamos e fizemos a doação de fraldas geriátricas. Em 2021, foram arrecadadas 78 mil e doadas 74.545 unidades. O Projeto Ver, que realiza a doação de óculos, beneficiará, até setembro, cerca de 200 pessoas, e estima atender, até o final do ano, um total de 470 pessoas que não têm recursos próprios para adquiri-los.
Todos estes dados nos mostram que, apesar das dificuldades, nossa cidade vêm conseguido vencer correntezas. E, sempre voltamos à superfície, recobramos o folego e recomeçamos novas campanhas. Precisamos planejar o futuro para que todas as pessoas em situação de vulnerabilidade possam, em um futuro breve, conquistar seus recursos por meio de seu trabalho – proporcionado por meio de novos projetos e oportunidades de inserção social, alavancando a melhoria da qualidade vida de todos.

O Fussp não equacionará de imediato todos os problemas sociais. Mas, se o ritmo das arrecadações seguirem de forma solidária e generosa, como temos visto, poderemos ter em Piracicaba um cenário mais confortável. É a solidariedade que nos torna ainda mais humanos, afinal, não é de nossa natureza vivermos isolados, mas atuar, nos relacionar em comunidade, com a forte sensação de vínculo aos nossos semelhantes.

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