Sonho adaptado: Casal diz ‘sim’ durante a quarentena

Bruna e Cristiano celebraram a união no final de abril. (Foto: Cris Rosa Fotografia)
Bruna e Cristiano celebraram a união no final de abril. (Foto: Cris Rosa Fotografia)

Dizer ‘sim’ no dia 24 de abril para uma nova fase da vida, em frente ao padre responsável pelo encontro no qual se conheceram, lá em 2016, foi bem diferente do que Bruna Mantuan Arthuso e Cristiano Tarciso Arthuso tinham planejado para o casamento há um ano. O sonho foi adaptado, a igreja estava vazia: participam da cerimônia apenas nove familiares próximos. Mas o sentimento de união no sacramento com a bênção de Deus foi o mesmo esperado pelo caso, até mais emoção já que o mundo passa por um momento tão difícil. Os demais familiares e os amigos participaram em pensamento, mas votos de felicitações não faltaram.


Desde que se começou a falar do novo coronavírus, a ficha dos noivos demorou um pouco a cair de que o casamento seria impactado, até que um mês antes da cerimônia foi decretada a quarentena no Estado de São Paulo.

As festas foram canceladas e as igrejas, fechadas. Mas os casamentos não estão proibidos. Realizar a união principalmente perante Deus foi uma prioridade para Bruna e Cristiano. “Era uma decisão difícil de tomar, de casar sem ter todo mundo, no plano ideal que a gente tinha esperado, só que a gente resolveu priorizar que era mais importante, além de tudo, que era iniciar nossa vida de casados”, conta Bruna.

Decididos, a festa foi prorrogada para o final do ano, pediram autorização da Diocese de Piracicaba e tiveram todo o apoio do padre Luís Carlos Siqueira Martins, da paróquia do Jupiá, que celebrou o casamento a convite dos noivos. O casamento foi na igreja Imaculado Coração de Maria, na Pauliceia.

Foto: Cris Rosa Fotografia

“Todo mundo chorou, todo mundo ficou muito emocionado, porque foi muito pessoal e, nesse momento também, tão difícil, as coisas acabam sendo até mais legais ainda, porque a gente enxerga prioridade que a gente tem que ter na nossa vida, que não é ter a festa”, reflete Bruna, que espera ansiosa para poder celebrar também com os demais familiares e amigos.

“[Ter] todo mundo é muito bacana, com certeza, e é o plano que a gente quer, mas na vida a prioridade básica que a gente tinha era realmente casar e fazer isso perante Deus”, lembra.

Foto: Cris Rosa Fotografia

O evangelho lido na cerimônia foi simbólico: sobre estruturar os alicerces do casal na rocha. “Quando você constrói com as bases de Deus nenhuma tempestade, nenhuma crise, nenhuma pandemia pode derrubar a família”, reflete Bruna.

O momento foi especial também para o padre. “O padre falou muito também da emoção que ele estava tendo por estar celebrando, neste momento tão difícil que a sociedade está vivendo, e também disse que era um dos casamentos mais emocionantes que ele já tinha feito, por conta de toda a situação”, lembra a noiva.

Andressa Mota

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