Sorocaba anuncia racionamento de água; outras oito cidades do interior têm rodízio

Foto: Amanda Vieira/JP

De acordo com o Consórcio PCJ, o índice médio de chuvas no estado foi 23,3% menor em 2021 do que a média histórica

A partir de segunda-feira, 17, os 700 mil moradores de Sorocaba, no interior de São Paulo, vão conviver com um racionamento da água que abastece a população. Apesar das chuvas que caíram em quase todas as regiões do estado nos últimos dias, outras oito cidades paulistas mantêm o racionamento ou rodízio no abastecimento. No total, cerca de 1,5 milhão de pessoas convivem com períodos sem água nas torneiras. De acordo com o Consórcio PCJ, o índice médio de chuvas no estado foi 23,3% menor em 2021 do que a média histórica.

Em Sorocaba, o racionamento foi estabelecido por decreto e prevê multa a partir de R$ 375 para quem for flagrado desperdiçando água. Esvaziar ou encher piscinas, por exemplo, é passível de multa. A prefeitura alega que as chuvas não recuperaram os mananciais que abastecem a cidade, especialmente a Represa de Itupararanga, responsável por 70% do abastecimento. O reservatório chegou a ter 18,9% do volume útil em dezembro, o pior nível desde 1925, mas chegou a 25% esta semana devido às chuvas.

A água será racionada em sistema de rodízio. Inicialmente, os bairros ficarão sem abastecimento 7 horas por dia, de forma escalonada. O plano foi aprovado pelo Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Sorocaba e Médio Tietê e a respectiva agência para minimizar os impactos da crise hídrica em 2022 e garantir a recomposição do nível dos reservatórios que atendem Sorocaba e região. “Devido às últimas chuvas, os mananciais estão em situação de recuperação dos seus níveis, porém, a quantidade ainda não é suficiente para conferir a segurança hídrica adequada”, disse o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos).

A estimativa do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) é de economizar 400 litros por segundo, equivalente a 20% da água captada diretamente na represa. O plano de racionamento foi discutido com prefeitos de outras cidades abastecidas pela Represa de Itupararanga, como Votorantim, Ibiúna e Mairinque. A expectativa é de que eles também adotem um rodízio para reduzir a retirada de água. Também foi discutido um plano de revegetação do entorno do manancial, o principal da região.

Durante a vigência do racionamento, fica proibido lavar calçadas, ruas e carros com mangueira, regar plantas, esvaziar e encher piscinas e manter canos ou torneiras eliminando água. A multa, que pode variar de R$ 375 a R$ 1,8 mil, dobra em caso de reincidência. Seis equipes de fiscais do Saae irão percorrer todas as regiões da cidade para coibir o desperdício. Servidores municipais terão poder de polícia administrativa para também atuar na fiscalização. Foi criado um canal para denúncias anônimas.

Outras cidades

Em Itu, a prefeitura e a Companhia Ituana de Saneamento iniciam nesta sexta-feira, 14, uma redução gradual no racionamento de água para a região central, mas o rodízio continua. Embora a situação dos mananciais tenha melhorado com as chuvas, apenas a região do Pirapitingui recebe água o dia todo. A captação é feita em nove bacias, mas o Sistema Mombaça, inaugurado em 2018, passou a ser o principal apoio para abastecimento da cidade. Conforme a prefeitura, o ano de 2021 terminou com volume de chuvas 34,5% menos que a média histórica, sendo o menor já registrado na cidade.

A cidade de Salto iniciou o racionamento em julho do ano passado e a população já chegou a ficar três dias sem água e um dia com abastecimento. Agora, os bairros estão recebendo água durante 12 horas e ficam 36 com o abastecimento interrompido. Rio das Pedras estava com racionamento de 36 horas sem água e 12 com abastecimento, mas devido às chuvas, reduziu o período sem água para 24 horas. Os três pontos de captação se recuperaram apenas parcialmente.

Em Porto Feliz, o racionamento continua ao menos até o próximo dia 31. Segundo o serviço de água, as chuvas não foram suficientes para encerrar a crise hídrica que perdura desde meados do ano passado. O racionamento teve início em outubro, quando o Ribeirão Avecuia, principal fonte de abastecimento, chegou ao menor nível em 40 anos. Os bairros recebem água dia sim, dia não.

O rodízio no abastecimento, que tinha sido suspenso no dia 23 de dezembro, foi retomado no último dia 4 em Vinhedo, na modalidade de 24 com água e igual período sem. Apenas a região da Capela e Santa Cândida podem ter água sem restrição. Conforme a Defesa Civil, a cidade registrou 82,9 mm de chuva nos últimos sete dias, mas foram insuficientes para a recuperação dos mananciais.

Em dezembro, choveu 116 mm, quando eram esperados ao menos 196 mm. Conforme a companhia de saneamento, a captação no rio Capivari voltou a operar com capacidade máxima, mas as duas represas que completam o abastecimento estão abaixo de 50%. Quem usar água tratada para lavar calçadas, telhados, veículos ou regar jardim pode ser multado em R$ 535.

Mesmo com a melhora no nível da captação no reservatório alimentado pelo Rio Batalha, a prefeitura de Bauru manteve o rodízio no abastecimento para 40% dos moradores. A cidade foi atingida por um temporal nesta quinta-feira, 12, com chuva acumulada de 80 mm em algumas horas, mas o impacto no manancial que abastece a cidade ainda será avaliado.

Em Valinhos, o racionamento havia sido suspenso no fim do ano, mas foi retomado no dia 3 de janeiro. Os moradores ficam sem água, em sistema de rodízio, 18 horas por dia. A medida vem sendo adotada desde agosto de 2021 e só deve ser suspensa quando o Rio Atibaia e outros mananciais que abastecem a cidade atingirem os níveis ideais. Em Tietê, o racionamento foi suspenso, no último dia 6, na região central, mas continua nos demais bairros. A medida vigora há cinco meses.

Menos chuva

Conforme o Consórcio PCJ, que monitora as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, o mês de dezembro apresentou chuvas 30,9% abaixo do esperado em toda a faixa leste do estado, incluindo as áreas de influência do Sistema Cantareira, que abastece grande parte da Região Metropolitana de São Paulo. O sistema operava com 38,8% do volume útil nesta quinta-feira, 13. No estado, as chuvas ficaram 23,13% abaixo da média.

Segundo boletim do PCJ, as previsões meteorológicas indicam que no primeiro trimestre de 2022 podem ocorrer chuvas abaixo das médias históricas no estado de São Paulo. A entidade recomenda que os municípios intensifiquem campanhas de uso racional da água mesmo durante o verão. “As chuvas acontecerão, mas podem não ser suficientes para a recarga dos mananciais. As comunidades devem estar preparadas para tomar medidas de contingenciamento durante a estiagem, caso as precipitações continuem abaixo da média”, diz o documento.

Agência Estado

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