“Superou minhas expectativas”, diz atriz piracicabana sobre estreia na TV

Foto: Divulgação

A piracicabana Natália Ferrari de Sousa Reis tem 28 anos e se formou em um curso profissionalizante de arte dramática no Conservatório Carlos Gomes, em Campinas. Fez faculdade de Relações Públicas na PUC-Campinas e Publicidade na PUC-SP. Exerceu ambas as profissões, em diversas empresas. Participou de musicais, curtas-metragens e projetos independentes. A série ‘Reis’, na TV Record, é o seu primeiro trabalho como atriz profissional. Nesta entrevista ao Persona, ela fala sobre a carreira e vida pessoal.

Qual a sua relação com a cidade de Piracicaba e o que ela representa pra você?

Piracicaba representa minhas raízes, o lugar onde passei a maior parte da minha infância. Minhas primeiras casas, escolas, amizades… Ainda tenho família na cidade – minhas avós Aracy Duarte Ferrari e Elizabeth Vidor, meus pais Cristiane e Flávio Reis – e alguns amigos, então sempre que possível passo por aí pra visitá-los e frequentar os lugares que gosto e sinto falta.

Aqui em Piracicaba, você realizava um trabalho voluntário no Lar dos Velhinhos, correto? Pode nos contar uma história que vivenciou e te marcou com relação a isso?

O dia mais marcante foi quando levamos algumas escovas de cabelo e esmaltes e passamos uma tarde pintando a unha e penteado o cabelo das moradoras. O carinho que entregamos é retribuído em dobro, em forma de abraços, sorrisos e histórias. Recomendo! Depois disso participei de alguns outros projetos de voluntariado, em ONGs de animais e educação para meninas. Sempre há muito que podemos fazer e muito que precisa ser feito.

Você sempre quis ser atriz? Qual foi sua principal motivação?

Desde que me lembro, sim. A arte sempre esteve tão presente em minha vida – principalmente teatro e música – que me rodear dela era a melhor forma de conhecer a mim mesma. Eu sempre amei e achei tão interessante atuar, que lembro que cresci me perguntando como que todas as pessoas do mundo não queriam fazer isso da vida! Não sei se teve uma motivação única que me fez correr atrás dessa carreira, eu só nunca imaginava outra possibilidade enquanto crescia.

Sua família sempre te apoiou na decisão de trabalhar com atuação?

Sempre. Me colocaram em aulas de canto e teatro desde criança, estavam em todas as apresentações, me levavam pra São Paulo pra ensaios, gravações e peças, me ajudaram na escolha de todos os cursos que já fiz, me incentivaram a estudar até fora do Brasil (aproveitaram e foram me visitar fora do Brasil, rs). Certamente eu não estaria conquistando o que estou hoje sem o apoio dos meus pais e meu irmão. Minha avó Aracy também é artista e me lembro o quanto eu adorava pintar quadros com ela quando criança e suas poesias também me ajudaram a crescer entendendo o poder de contar histórias. Mais recentemente, meu marido foi o fator determinante na minha decisão de não desistir, menos de um ano atrás. Ele foi meu maior incentivador e hoje vibra a conquista junto comigo, as vezes até mais do que eu!

Quais as principais dificuldades para uma atriz no interior de SP e agora na capital?

Entender o caminho para conquistar espaço nesse mundo das artes, fazer contatos, conhecer agências, descobrir onde estavam as minhas chances de conseguir um trabalho. Quando a gente não cresce conhecendo a cidade, os lugares, as pessoas do ramo, me parece mais desafiador. Se você se forma em São Paulo, as vezes já cria contatos no curso, faz um grupo de amigos que se juntam pra criar uma produção independente, frequenta teatros da cidade, etc. Eu “caí de paraquedas”, então me senti um pouco perdida por um bom tempo.

O que mais te surpreendeu quando você veio trabalhar na capital?

A quantidade de pessoas que estavam lá buscando o mesmo que eu. Com a quantidade de cursos e agências disponíveis, as vezes parecia impossível entender o melhor caminho a se trilhar. Mas a mudança pra capital também trouxe coisas ótimas. São Paulo é uma cidade cheia de culturas convivendo juntas e isso reflete na arte. Foi uma época de expansão de conhecimento e consciência. Hoje, moro no Rio de Janeiro, e está sendo uma época de trabalho intenso e conexão com a natureza.

Você sente um reconhecimento dos piracicabanos com relação ao seu trabalho atualmente?

Sim! Agradeço muito e espero poder retribuir e sempre representar bem minha cidade.

De que forma a sua formação em Relações Públicas te ajuda no trabalho como atriz?

De uma maneira geral, acho um grande benefício conhecer o mundo dos negócios por trás das câmeras. Como atriz, eu também tenho deadlines, clientes, colegas de trabalho, metas, entre outras coisas que existem no universo corporativo. Fora isso, como Relações Públicas, eu aprendi a trabalhar com imprensa e mídia, compreender expectativas de meus empregadores e trabalhar com imagem e reputação.

E o fato de ter estudado artes cênicas em Londres? Pode nos contar um pouco mais sobre como foi essa experiência pra você e o que mudou na sua vida desde então?

Fui pra lá para estudar Shakespeare, pois um dos maiores dramaturgos de todos os tempos tem muito a ensinar aos atores. Foi um curso intensivo de alguns meses que impactou demais meu aprendizado. Carrego muitos ensinamentos que me ajudam na construção de um personagem até hoje e também manteve meu interesse em seguir estudando, inclusive a dramaturgia de outras culturas e países.

Como surgiu o convite para interpretar a personagem Sâmila, na série ‘Reis’? Em que momento profissional você estava naquele momento?

A oportunidade para trabalhar em Reis surgiu após um curso intensivo que participei, no qual nós apresentávamos uma cena de filme para alguns diretores de elenco. Menos de um mês depois, recebi uma ligação de minha agência dizendo que eu havia sido selecionada para um papel. Não cheguei a fazer teste de elenco na própria emissora. No momento do convite, eu estava trabalhando em uma produtora de documentários de cunho social, a Social Docs, e sai para me dedicar ao papel e à carreira de atriz. Eu brinco que mandei meu último e-mail e fui estudar o roteiro de Reis no mesmo dia. Eu sempre levei as duas carreiras em paralelo, agora é o primeiro momento que estou trabalhando somente como atriz.

Sobre a preparação para interpretar a personagem, pode nos contar os detalhes e contar sua parte favorita no processo?

Comecei a estudar sobre a época e os costumes assim que recebi o convite para interpretar a personagem. Com o roteiro em mãos, eu tenho alguns passos que sempre sigo pra mapear quem é esse personagem – como é sua personalidade, seu passado, quais são suas características, seus desejos, seus medos, como são seus relacionamentos… se eu fosse contar todo o processo faríamos uma matéria só sobre isso, rs. Mas posso dizer que escrevo várias páginas de caderno sobre a personagem e meu roteiro é inteiro rabiscado, cheio de anotações e pensamentos, em cada cena que ela está presente. Depois disso, temos a oportunidade de trabalhar com preparadores de elenco da Record. Eu trabalhei com três preparadoras diferentes, pois minha personagem transitava entre alguns núcleos de atores na série. As profissionais costumam reunir um núcleo ou uma dupla de atores e nos ajudam a criar conexões como personagens e a encontrar a carga emocional de cada momento com alguns exercícios. Essa é minha parte preferida, pois só reforça o quanto o trabalho do ator é criar histórias e conexões. Depois também costumamos nos reunir para fazer leituras de roteiro, trabalhando algumas movimentações de cena.

De que forma a sua história de vida se relaciona com a personagem? O que a Sâmila carrega da Natalia e vice-versa?

Eu vejo em Sâmila e em mim uma conexão forte com a família, a vontade de fazer o bem pelo outro, a coragem de buscar e defender o que acredita, de fazer o que é justo.

Laís Seguin
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