Taxistas pedem adiamento de imposto municipal em decorrência da pandemia

Profissionais relatam dificuldade de conseguir corridas pela queda no fluxo de pessoas (Foto: Amanda Vieira/JP)

Com o isolamento social e a crise em decorrência da pandemia, o fluxo de pessoas diminuiu, o que afetou diretamente o trabalho dos taxistas. Mas mesmo com a queda na demanda os impostos continuam a chegar. Por isso, taxistas da cidade pedem o adiamento do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza).

“Recebi da prefeitura dois carnês de impostos. O ISSQN e a taxa de licença que totalizam quase R$ 800 por ano. Sei que a prefeitura precisa dos impostos, mas esse ano é um ano atípico”, conta a taxista Regina Carrandine, que tenta mobilizar os colegas a protocolar requerimento para adiar o imposto.

A taxista preocupa-se que, sem o pagamento do ISSQN, não será possível renovar a licença de trabalho ou fazer vistoria. “O máximo que eles fazem para a gente é parcelar em seis vezes, mas seis vezes de R$140 infelizmente não está em condições de pagar”, comenta.

O ponto de Regina é a rodoviária e, pela queda de pessoas viajando, chega a ficar doze horas sem faz uma corrida sequer. “Nem o celular estou conseguindo pagar, está complicado demais”, enfatiza.

Além da pandemia, o taxista Valdir de Oliveira pontua que a categoria enfrenta ainda queda na demanda há alguns anos, em decorrência dos aplicativos. Oliveira tem ponto no Shopping e está há quase quatro meses sem trabalhar. “Os outros que têm ponto na rua ainda estão trabalhando, só que eu não estou porque o shopping está fechado. Estou sem trabalho, na minha casa, sem ganhar nada, só gastando. Eu moro sozinho, sou viúvo, então fica difícil, tem que pagar carro, pagar casa, prestações”, relata.

Mesmo com ponto próximo à catedral na Praça José Bonifácio, ontem (14) o taxista Marcelo Ribeiro Costa precisou esperar das 10h às 16h até chegar a ser o primeiro da fila. “Das 7h às 7 da noite, 12 horas de serviço, está fazendo aí quatro corridas, se fizer. E outro, para 15 carros é complicado dividir quatro corridas para cada um”, conta. “Postergar esse imposto devia ser automaticamente”, avalia.

De acordo com a Prefeitura, a cidade tem 259 taxistas permissionários e 45 auxiliares. Questionada se há a possibilidade de postergar o imposto, por meio da assessoria de imprensa, informou que “o ISSQN só pode ser cancelado por lei”. E que a orientação, tanto para condutores de vans escolares que pagam ISSQN quanto para os taxistas, é procurar a Semtre (Secretaria Municipal de Trabalho e Renda) para verificar se encaixam na legislação de MEI. “Sendo MEI as taxas são muito melhores”, diz em nota.

Andressa Mota